O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem mantido uma postura de apoio público ao ministro Alexandre de Moraes, mesmo diante de orientações de aliados para que cobre explicações sobre o caso envolvendo o magistrado e o Banco Master. Nas entrevistas concedidas após a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que terminou sem uma decisão sobre a abertura de investigação contra Moraes, Lula evitou fazer críticas diretas ao ministro.
Em entrevista à Record na terça-feira (15/9), poucas horas depois da sessão do STF, Lula afirmou que eventuais irregularidades devem ser investigadas e que os responsáveis precisam responder por seus atos. Na declaração, porém, não mencionou Moraes diretamente.
“Todo mundo que cometeu erro, em qualquer área, tem que ser julgado. O que eu defendo é um julgamento justo com direito de defesa, mas, se a pessoa cometeu um delito, a pessoa tem que pagar o preço. Isso vale para mim, vale para o Alexandre de Moraes, vale para o Fachin”, disse Lula à Record.
Presidente também elogia atuação de Moraes
Na manhã desta quarta-feira (16/9), Lula voltou a falar sobre o ministro durante participação no podcast “Desce a Letra”. Desta vez, citou Moraes nominalmente, mas novamente não apresentou uma crítica direta à atuação do integrante do Supremo.
Durante a entrevista, o presidente classificou como “extraordinário” o trabalho de Moraes na defesa da democracia e na responsabilização do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros envolvidos nos atos antidemocráticos.
Ao mesmo tempo, aliados e integrantes do entorno de Lula defendem que o presidente adote uma postura mais direta diante das informações sobre mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A avaliação relatada por esses interlocutores é de que o episódio pode gerar desgaste político para o governo.
A sessão do STF realizada na terça-feira (15/9) terminou sem uma definição sobre a investigação envolvendo Moraes. O ministro Flávio Dino pediu vista do processo, interrompendo a análise. Antes da suspensão, havia uma discussão sobre a possibilidade de os casos de Moraes e André Mendonça serem analisados conjuntamente.
Dino havia defendido que os processos relacionados ao Banco Master fossem reunidos. O pedido de vista impediu a conclusão do julgamento e deixou a retomada da análise para uma data posterior.
Durante a sessão, Gilmar Mendes também questionou a condução dos processos e defendeu que os casos de Moraes e Mendonça fossem analisados em conjunto. O placar provisório ficou em 4 votos a 3 pela manutenção dos julgamentos separados, antes da interrupção provocada pelo pedido de vista de Dino.
