Nos últimos anos, a procura por tratamento de ludopatia no Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu mais de 600%. Nesse contexto, o Governo Federal, através do Ministério da Saúde, está realizando uma busca ativa por pacientes com dependência em jogos de azar e apostas online. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, confirmou a informação durante um compromisso em Belo Horizonte na manhã de sábado (26/9). Isso ocorreu um dia depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a proibição completa das apostas no país.
De acordo com Padilha, levantamentos feitos a partir de cada Cadastro de Pessoa Física (CPF) registrado nos sites, até então autorizados no país, permitiram que o Governo Federal elaborasse um perfil dos usuários. É por meio destes dados que o Ministério da Saúde vai entrar em contato com pessoas que possam estar com ludopatia. Os pacientes poderão ser procurados por equipes dos centros de saúde de cada município.




“Nós orientamos as equipes de saúde local e mandamos mensagem para esses CPFs chamando para o teleatendimento, ofertando consulta no Sistema Único de Saúde através do teleatendimento”, explica o ministro.
As consultas online têm acontecido desde março quando a pasta anunciou que faria atendimentos em saúde mental para pessoas com necessidades relacionadas a jogos e apostas. A iniciativa faz parte da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e o acesso é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, que direciona o usuário à plataforma AgSUS.
Conforme o Ministério da Saúde, as equipes de atendimento são formadas por psicólogos, enfermeiros e outros profissionais capacitados para escuta qualificada. Ainda segundo a pasta, entre os sinais que podem indicar um possível vício com jogos e apostas estão alterações no sono, na alimentação ou no humor; ansiedade e irritabilidade quando a pessoa não está jogando.
Procura por ajuda motivou proibição
À imprensa, nesta manhã, Alexandre Padilha afirmou que a decisão do executivo federal para proibir as bets foi baseada em dados da saúde primária. De acordo com o ministro, desde que a Plataforma Centralizada de Autoexclusão foi lançada, em dezembro de 2025, mais de 1,5 milhão de brasileiros solicitaram o bloqueio voluntário do CPF para impedir o acesso às plataformas de apostas.
“Mais de 50% dessas pessoas declararam que o problema estava relacionado com a saúde, que perderam o controle da própria vida […] Essa decisão do presidente foi para colocar a vida em primeiro lugar. E o presidente Lula expressou bem quando disse que as bets são um câncer e um câncer tem que ser extirpado como um todo”, afirmou Padilha.
Ainda conforme o ministro, levantamentos feitos pela Saúde, em parceria com o Ministério da Fazenda, mostram que a maioria dos jogadores são homens, no entanto são as mulheres que mais procuram por ajuda. “Uma coisa muito importante é que as mulheres têm procurado mais o teleatendimento do que os homens, porque a gente abre não só para quem está com vício em aposta, mas também para os familiares que são afetados e começam a ter problemas de saúde mental em função disso”.
