Mais de um mês depois de denunciar ameaças racistas, de morte e estupro, Ana Elisa (PT), de 21 anos, ainda não recebeu informações conclusivas sobre o caso. Procurada pelo Metrópoles nesta quinta-feira (8/10), a Polícia Civil de Minas Gerais informou que a investigação permanece em andamento, mas não apresentou novos detalhes sobre a apuração.
As mensagens chegaram por e-mail em 5 de setembro, quando Ana Elisa ainda estava em campanha para uma vaga na Câmara dos Deputados. Segundo o relato feito à polícia, o responsável dizia integrar um “grupo supremacista branco”, mencionava informações pessoais da então candidata e também fazia ameaças contra familiares dela.
Polícia Civil mantém investigação em andamento
Em resposta à reportagem, a Polícia Civil afirmou que o caso continua sendo investigado e que novas informações serão divulgadas quando for possível.
“A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que o referido caso segue em apuração. Outras informações serão repassadas em momento oportuno”, declarou a instituição.
Até o momento, a corporação não informou se conseguiu identificar o autor das mensagens ou se houve algum avanço concreto na investigação desde o registro da ocorrência.
Ana Elisa procurou as autoridades no próprio dia 5 de setembro. Conforme o boletim registrado na 142ª Companhia da Polícia Militar, a então candidata apresentou capturas de tela das mensagens e relatou que já havia recebido anteriormente outro e-mail com conteúdo semelhante.
A ocorrência foi registrada inicialmente como ameaça e injúria racial. Os conteúdos enviados apresentavam menções a grupos extremistas, ataques racistas e ameaças explícitas de violência sexual e morte.
Na época, a equipe de campanha decidiu não tornar público o conteúdo completo das mensagens nem revelar o nome do grupo citado pelo autor. A decisão foi tomada por questões relacionadas à segurança.
Uma análise jurídica elaborada pela equipe da candidata apontou indícios de ameaça, racismo e violência política de gênero. Segundo os responsáveis pela campanha, o conteúdo tinha como objetivo intimidar Ana Elisa e interferir em sua participação no processo eleitoral.
Os representantes jurídicos da então candidata também afirmaram ter acionado as autoridades policiais e adotado as medidas judiciais consideradas necessárias para tentar identificar quem enviou as ameaças.
Mesmo após a denúncia, Ana Elisa seguiu na disputa eleitoral e foi eleita deputada federal por Minas Gerais nas eleições realizadas em 4 de outubro.
