Claudia Raia, hoje com 59 anos, relatou uma experiência difícil que viveu durante uma viagem a Buenos Aires, em meio ao período da Guerra das Malvinas. Segundo a artista, uma abordagem policial terminou com ela e seus acompanhantes conduzidos à delegacia e registrados pelas autoridades argentinas. O relato foi feito em entrevista ao canal Ambulatório da Moda, no YouTube.
“Fui presa já na Argentina”, afirmou Claudia ao recordar o episódio, ocorrido quando tinha apenas 15 anos. Ela também descreveu o clima de repressão enfrentado pela comunidade LGBTQIA+ naquele período: “Teve um momento, na Guerra das Malvinas, que os gays eram proibidos de existir”.
Atriz diz que foi levada à delegacia com 19 amigos
A Guerra das Malvinas foi travada entre Argentina e Reino Unido de 2 de abril a 14 de junho de 1982. Claudia contou que, durante sua estadia em Buenos Aires, havia patrulhas chamadas “Averiguação de Antecedentes”, que, segundo ela, abordavam homens considerados gays. “Quem eles achavam que era gay, levavam preso e batiam. Como você julga uma pessoa andando na rua?”, questionou.
Na época, a atriz estava na Argentina com o espetáculo Sexcitante, do qual participava ao lado da apresentadora argentina Susana Giménez. Ela recordou que estava em um restaurante com um grupo de amigos quando os policiais entraram no estabelecimento. “Eles entraram no restaurante que a gente estava. Estava sentada com 19 gays em volta de mim, só eu mulher. Perguntaram para mim e meu amigo falou: ‘Não fala espanhol. Fala português e que é brasileira’”, relatou.
Claudia disse que acabou sendo conduzida à delegacia junto dos 19 amigos, apesar de ser mulher, brasileira e menor de idade. “Me levaram e foi uma loucura. Eu e 19 gays. Estava preocupadíssima com meus amiguinhos gays”, contou. Segundo a atriz, ela foi liberada ainda naquele dia, enquanto os amigos permaneceram detidos.
Embora tenha deixado a delegacia no mesmo dia, Claudia afirmou que seu nome ficou registrado pelas autoridades argentinas. De acordo com ela, essa situação ainda provoca transtornos quando chega ao país. “Quando chegou na Argentina, eles olham [meus documentos]. Eu sou fichadíssima”, declarou.
A artista também destacou que a presença da mãe, Odette Motta Raia, foi fundamental para que pudesse sair da delegacia. Como tinha apenas 15 anos, conseguiu pedir que a mãe deixasse o apartamento onde estavam hospedadas para buscá-la. “Eles não podiam ter me prendido, porque eu era menor de idade, tinha 15 anos. Graças a Deus que minha mãe estava no apartamento e eu consegui fazer ela sair de lá e me pegar na delegacia”, concluiu.
