O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a instauração de um inquérito contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pedido, apresentado nesta sexta-feira (23/10), menciona suspeitas de corrupção passiva e advocacia administrativa relacionadas a um suposto presente oferecido pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo reportagem da revista Veja, baseada em mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, ele teria adquirido uma garrafa de uísque Macallan 1945, avaliada em R$ 500 mil, para entregar ao presidente.
Flávio Bolsonaro também pediu que Mendonça encaminhe o caso ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que seja avaliada a abertura de uma investigação contra Lula. Na representação, os advogados sustentam que o valor do item reforçaria a hipótese de que Vorcaro teria buscado oferecer uma vantagem indevida ao presidente enquanto tentava obter apoio do governo federal para interesses ligados ao Banco Master.
Defesa de Flávio cita escolha da bebida
Na argumentação apresentada ao Supremo, os advogados de Flávio destacaram a origem e o significado atribuído à garrafa de uísque mencionada no caso.
“A escolha, aliás, não foi aleatória e carrega simbolismo eloquente. Em 1981 a destilaria escocesa The Macallan criou uma linha rara, a Macallan Royal Marriage Malt Whisky, para comemorar o casamento do Príncipe Charles com Diana, com blends de 1948 e de 1961, safras correspondentes aos anos de nascimento dos noivos, “evocando uma tradição da realeza”. escreveram os advogados.
Na sequência, a defesa estabeleceu uma comparação entre a situação envolvendo Vorcaro e a tradição mencionada na argumentação.
“Daniel Vorcaro reproduziu o mesmo protocolo, oferecendo ao Noticiado uma safra do ano de seu nascimento. Ocorre que o Brasil é uma República, e não uma monarquia. Aqui, o Chefe do Poder Executivo não é soberano a quem se rendem tributos, mas agente público submetido à lei, e o mimo digno de um príncipe, quando ofertado por banqueiro com interesses junto ao Governo, deixa de ser homenagem para tornar-se objeto de investigação.”
Até o momento, André Mendonça ainda não analisou o pedido apresentado por Flávio Bolsonaro. As ações relacionadas ao Caso Master que tramitam no Supremo Tribunal Federal estão atualmente sob a condução do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
