O cantor Zé Felipe, de 26 anos, tem enfrentado o desafio da espondilite anquilosante (também conhecida como espondiloartrite) desde 2019. Embora a doença seja crônica e não tenha cura, ela pode ser controlada com o tratamento adequado. Caso contrário, pode levar a complicações sérias, conforme explica o reumatologista Fabio Jennings em entrevista à CARAS Brasil.




As complicações da espondiloartrite
De acordo com o especialista, a espondiloartrite pode causar a perda de mobilidade da coluna lombar, cervical e de outras articulações à medida que a inflamação progride. Isso ocorre devido à fusão das articulações, o que prejudica a movimentação. “A doença pode levar à perda da capacidade para realizar atividades diárias e afetar o desempenho no trabalho, impactando diretamente na qualidade de vida”, explicou Jennings.
Além das articulações, a espondiloartrite pode afetar outras partes do corpo. “Menos comumente, ela pode atingir os olhos, causando inflamação (uveíte), e o intestino, gerando diarreia crônica. Como a inflamação é sistêmica, se não for controlada, há aumento do risco de eventos cardiovasculares, como infarto do miocárdio”, alertou o médico.
A natureza sistêmica da doença
A espondiloartrite é uma doença reumática inflamatória que afeta principalmente as articulações da bacia (sacroilíacas) e da coluna, mas também pode impactar grandes articulações como joelhos e quadris, além de tendões. “A doença é sistêmica e pode envolver os olhos e o intestino”, explicou Jennings.
Embora a causa exata da espondiloartrite ainda não seja completamente compreendida, sabe-se que ela tem relação com autoimunidade, quando o sistema imunológico ataca o próprio corpo, e com fatores hereditários. O especialista também destacou que o termo “espondilite anquilosante” está sendo gradualmente substituído por “espondiloartrite”. A doença é mais comum em homens, que representam cerca de 70% dos casos, e em pessoas jovens, abaixo de 45 anos.
Principais sintomas da espondiloartrite
- Dor crônica na região lombar (que dura mais de 3 meses), do tipo inflamatória, que piora com repouso e pela manhã, mas melhora com o movimento.
- Inflamação nas articulações (artrite) e nos tendões (tendinites e entesites).
- Rigidez na coluna e nas articulações, com aumento da rigidez pela manhã.
O tratamento precoce e a adesão rigorosa ao acompanhamento médico são essenciais para minimizar os riscos da espondiloartrite e evitar complicações graves.
