Marcelo, de 25 anos, foi jogado de uma ponte em um córrego no bairro Cidade Ademar, São Paulo, durante uma ação policial. O jovem, que trabalha como entregador e não possui antecedentes criminais, sobreviveu à queda e sofreu ferimentos no rosto. Ele foi socorrido por moradores de rua e levado ao hospital.
Seu pai, Antônio Donizete do Amaral, expressou indignação em entrevista à TV Globo:
“É inadmissível, não existe isso aí. A polícia está aí para fazer a defesa da população, não fazer o que fez. Trabalhador, menino que sempre correu atrás do que é dele. Não tem envolvimento, passagem pela polícia, não tem nada. Eu gostaria de uma explicação desse policial.”



Um vídeo gravado por testemunhas mostra três policiais militares (PMs) na ponte. Um deles, após uma abordagem, levanta Marcelo pelas pernas e o joga no córrego. A Secretaria de Segurança Pública afastou 13 PMs envolvidos na ação, que ocorreu durante a dispersão de um baile funk na região.
Reações das autoridades
O prefeito Tarcísio condenou veementemente a atitude: “Aquele que atira pelas costas, aquele que chega ao absurdo de jogar uma pessoa de uma ponte, evidentemente não está à altura de usar essa farda.”
O Secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, classificou a ação como contrária aos procedimentos operacionais e destacou que ações isoladas não devem manchar a imagem da polícia.
Já o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, considerou as imagens “estarrecedoras e absolutamente inadmissíveis” e determinou que o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) acompanhe o caso.
Mortes por ação policial em alta
O caso ocorre em um contexto de aumento expressivo na violência policial em São Paulo. Até novembro de 2024, o estado registrou 697 mortes decorrentes de intervenção policial, um aumento de 51% em relação ao ano anterior. A gravidade do caso reacende o debate sobre a conduta policial e os limites da força usada em operações no estado.
