A Igreja Bola de Neve, uma das maiores igrejas evangélicas do Brasil, enfrenta uma crise interna marcada por disputas por poder e acusações de desvio de fundos. A pastora Denise Seixas, ex-esposa do fundador Rinaldo Luiz de Seixas Pereira (apóstolo Rina), entrou com uma ação judicial contra o conselho administrativo da igreja, alegando fraude e desvio de dinheiro.
Em sua denúncia, Denise, que foi vice-presidente da igreja, afirma que o conselho, liderado por Everton César Ribeiro, teria se apropriado indevidamente de recursos da igreja após a morte de Rina. Segundo a pastora, o conselho teria criado empresas de fachada para desviar dinheiro e centralizar o controle sobre as finanças da organização.



A acusação aponta para movimentações financeiras suspeitas na conta de Rina, além da criação de empresas como a SIAF Solutions, que gerenciava as receitas de dízimos e taxas, e a Green Grid Energy, que prestava consultoria financeira à igreja.
A defesa de Denise alega que a Bola de Neve possui um faturamento anual de cerca de R$ 250 milhões e que os líderes do conselho teriam se beneficiado financeiramente dessa quantia. O conselho administrativo, por sua vez, nega as acusações e afirma que o faturamento da igreja é inferior ao valor divulgado por Denise.
Disputa judicial e mudança na liderança
A disputa pelo controle da igreja levou a uma série de decisões judiciais contraditórias. Inicialmente, o conselho administrativo obteve um mandado de reintegração de posse, permitindo a remoção de Denise da sede da igreja. No entanto, em uma decisão posterior, outro juiz invalidou o acordo de divórcio pelo qual Denise havia renunciado ao cargo de vice-presidente, reconhecendo-a como a legítima sucessora de Rina.
A Igreja Bola de Neve, por sua vez, recorreu da decisão e afirmou que Denise havia renunciado ao cargo de forma voluntária. A disputa judicial se intensificou, com ambos os lados apresentando argumentos e provas para sustentar suas posições.
Impacto da crise
A crise interna na Bola de Neve tem gerado grande repercussão na mídia e nas redes sociais. Os fiéis da igreja se dividem em relação às acusações e às decisões judiciais. A imagem da instituição, que sempre foi associada à prosperidade e ao crescimento, foi abalada.
A disputa pelo controle da Bola de Neve levanta questões importantes sobre a gestão financeira de grandes igrejas e a necessidade de transparência nas suas operações. A crise também revela os desafios enfrentados por organizações religiosas que passam por processos de sucessão e mudanças de liderança.
