A relação entre Bento XVI e Papa Francisco foi marcada por um contexto inédito para a Igreja Católica, algo jamais visto nos últimos 600 anos. Quando o Papa Francisco assumiu o papado, ele teve que lidar com a presença do Papa emérito Bento XVI, uma figura importante, mas que havia renunciado ao pontificado. Pela primeira vez, um papa e seu antecessor viveriam no Vaticano, em uma convivência que despertou curiosidade e especulação.
Na primeira vez que se encontraram, Francisco ressaltou: “Nós somos irmãos”, mostrando a cordialidade entre os dois. Por sua vez, Bento XVI afirmou: “Papa é um só, Francisco. Eu considero que meu único e último dever é apoiar o pontificado por meio da oração”, expressando seu respeito e apoio à nova liderança. Mesmo com os estilos e temperamentos diferentes, os encontros entre eles eram frequentes, e as orações sempre foram o ponto central desses momentos.



Francisco, com seu carisma, disposição para mudanças e vida simples, se contrapôs ao estilo mais conservador e reservado de Bento XVI, que mantinha uma postura sisuda e focada nas questões tradicionais da Igreja. Essas diferenças de abordagem geraram especulações sobre a relação entre os dois, mas nunca houve declarações públicas de desavenças.
Em uma de suas declarações, Bento expressou sua gratidão pela amizade com Francisco: “Eu estou agradecido de poder estar vinculado por uma grande coincidência de opiniões e uma amizade de coração ao papa Francisco”, afirmando que compartilhou de muitas das ideias de Francisco.
Entretanto, sua presença constante no Vaticano, a realização de aparições públicas e o uso do hábito branco, típico do Papa, foram vistos por alguns como uma contradição, já que Bento havia afirmado que se retiraria do mundo após sua renúncia. Bento se justificou: “Manter o hábito branco e o nome de Bento é algo simplesmente prático. No momento da renúncia, não havia outros hábitos à disposição. Além disso, uso o hábito branco de uma forma claramente distinta à do papa”, explicando suas escolhas.
A relação entre eles gerou até um filme, Dois Papas, que explorou as controvérsias e as dinâmicas dessa convivência. Embora o roteiro fosse fictício, o filme abordou as diferenças entre os dois líderes e gerou críticas de algumas autoridades religiosas, que acusaram a produção de pintar os papas como personagens antagônicos — o “papa do bem” e o “papa do mal”. No entanto, publicamente, os dois papas mantiveram uma relação cordial e de respeito mútuo. Após a morte de Bento XVI, Papa Francisco destacou: “Um homem nobre e gentil. Um presente para o mundo”, ressaltando a admiração e respeito que sentia por seu antecessor.
