A morte da brasileira Juliana Marins no Monte Rinjani, na Indonésia, na última terça-feira (24), gerou um questionamento no jornalista da Globo, Clayton Conservani. Conhecido por suas reportagens em locais inóspitos ao redor do mundo, o rapaz expressou perplexidade diante das circunstâncias que cercam o caso.
“Lembro bem da instabilidade do terreno. E tem ainda o fator do vulcão estar ativo, o que sempre aumenta o risco”, afirmou Conservani, ao comentar as dificuldades naturais do Rinjani, onde já esteve acompanhado de dois montanhistas experientes em uma expedição anterior. Segundo ele, a região exige extremo preparo técnico e atenção constante, o que torna ainda mais surpreendente a versão apresentada pelo guia de Juliana.




Entenda o caso
O caso aconteceu na sexta-feira, 20 de junho, quando Juliana, que fazia trilha com um grupo de turistas, caiu de um penhasco com altura estimada entre 150 e 300 metros. A excursão era conduzida pelo guia indonésio Ali Musthofa. Ele alega que pediu que Juliana descansasse enquanto ele avançaria um pouco na trilha, no entanto, ao perceber sua ausência, retornou e, de acordo com seu relato, avistou uma luz e ouviu a voz dela pedindo socorro do fundo da encosta.
A brasileira permaneceu por mais de três dias em condições extremas, sem comida, água ou proteção adequada contra o frio, à espera de um resgate que enfrentou inúmeros obstáculos. A família relatou que a operação foi marcada por sucessivas interrupções causadas por chuvas fortes e pela precariedade dos recursos disponíveis. A crítica foi contundente: eles acusam o governo da Indonésia de negligência, desorganização e demora inaceitável no socorro.
Para Conservani, que já encarou os riscos do Monte Rinjani, a situação revela o quão perigosa é a combinação entre terreno instável, atividade vulcânica e a eventual falta de preparo técnico em excursões dessa natureza.
