Nesta sexta-feira (27), a Justiça do Rio de Janeiro determinou a internação provisória, por um período de 45 dias, do adolescente de 14 anos que confessou ter matado os pais e o irmão de 3 anos no município de Itaperuna, localizado na região Noroeste do estado. A medida foi tomada após decisão do Tribunal de Justiça e será cumprida no Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), como forma preventiva. O adolescente não possui até o momento advogado legalmente constituído.
De acordo com informações da Polícia Civil, o crime foi motivado pela proibição, por parte dos pais, de uma viagem que o adolescente pretendia fazer até o Mato Grosso do Sul, onde desejava encontrar uma adolescente de 15 anos com quem se relacionava virtualmente desde os 8 anos de idade. O vínculo entre os dois teve início por meio de um jogo online. Ao ter o pedido recusado, o jovem utilizou a arma de fogo do pai e disparou contra os três membros da família enquanto dormiam, incluindo o irmão mais novo. Após cometer os assassinatos, tentou ocultar os corpos jogando-os na cisterna da residência da família.




Relacionamento virtual e investigação
A adolescente de 15 anos, com quem o autor do crime mantinha contato pelas redes sociais, foi ouvida na Delegacia de Água Boa, no estado do Mato Grosso. O depoimento ocorreu na presença da mãe da jovem.
O delegado Carlos Augusto Guimarães, titular da 143ª Delegacia Policial de Itaperuna, destacou o impacto que o caso teve entre os investigadores. “Tudo isso cria esse enredo cabuloso, horrendo, que tirou a vida da própria família, sem qualquer motivação concreta, e também a própria vida dele. Inclusive, indaguei sobre o irmão, uma criança pura, que nada tinha a ver com o relacionamento, e ele respondeu que o matou para que não sofresse com a perda dos pais”, afirmou Carlos Augusto Guimarães.
A descoberta dos crimes ocorreu na última terça-feira (25), após a avó do adolescente comparecer à delegacia para registrar o desaparecimento da família. Durante a perícia no imóvel, agentes localizaram manchas de sangue no colchão do casal, roupas ensanguentadas e indícios de tentativa de destruição de objetos por fogo.
Um forte odor vindo da cisterna da casa chamou a atenção dos peritos. Ao abrirem o reservatório, os corpos dos três familiares foram encontrados. Confrontado com as evidências reunidas na cena do crime, o adolescente confessou a autoria dos homicídios.
