O pescador e influenciador Rafael Gandine, de 38 anos, natural de Jateí, em Mato Grosso do Sul, ficou famoso ao registrar encontros frequentes com sucuris na região do assentamento Gleba Nova Esperança, onde mora há cerca de uma década. Os registros, realizados durante pescarias e trilhas em áreas preservadas, se transformaram em conteúdo para redes sociais, acumulando mais de um milhão de seguidores. As informações são do g1.
Segundo relato concedido ao g1, “a região aqui é bem preservada, com muita água e vegetação. É o habitat natural das sucuris. Pesco frequentemente, o que facilita esses encontros. Não é todo dia que vejo, mas já tive uns 100 encontros ao longo dos anos”.
Desde 2015, vídeos com pescarias e interações com a fauna local passaram a ser publicados no YouTube, plataforma em que o influenciador construiu a principal fonte de renda. “Eu só pesco, fiz um canal para compartilhar meu dia a dia, vídeos cozinhando na beira do rio, avistamentos de sucuris”, contou.



Mordida rara e consequências
Em maio de 2025, um dos encontros com uma sucuri terminou de forma perigosa. Durante uma travessia em um córrego, o influenciador foi surpreendido por uma mordida, considerada rara por especialistas. “Elas se escondem muito bem. Já passei por córregos onde parecia não haver nada, mas haviam sucuris escondidas. Este ano fui mordido por uma, acho que pisei nela. Fiquei desesperado e com medo”.
Após o acidente, foi necessário atendimento médico imediato. “Eu fui para casa, joguei álcool no local onde ela mordeu e fui para o hospital, tive que tomar antibiótico para não ter uma infecção, elas não têm veneno, mas o médico disse que a boca tem muitas bactérias”.
A análise da mordida foi feita pelo biólogo e especialista em serpentes, Henrique Abrahão Charles, que confirmou a espécie. “No vídeo conseguimos enxergar os dentes da maxila e também do palato. Os dentinhos da sucuri são bem fininhos, se não puxar, não rasga, se você puxar, ela rasga a pele. Realmente é um dente de sucuri que ficou preso na pele dele”.
Ainda segundo o especialista, ataques de sucuris não são comuns. “É raro ser mordido por uma sucuri, quando acontece são todas de defesa, ou seja, alguém foi lá e mexeu com o bicho, pisou ou se aproximou demais, são mordidas de advertência. A gente não tem registros de ataque. No caso dele, ele não viu a sucuri, acabou pisando nela e aconteceu dela dar uma mordida, mas isso não foi um ataque, foi uma defesa”.
Região abriga alta concentração de serpentes
O assentamento Gleba Nova Esperança, localizado a cerca de 10 km do centro de Jateí, preserva uma área de Mata Atlântica com mais de 23 hectares. A presença de corpos d’água e vegetação nativa contribui para o que o biólogo classificou como “um berçário de sucuris”.
“A partir do momento em que você tem um encontro de uma fauna bem diversificada, como ele mostra nos vídeos, uma fauna flora preservada, você pode ter sim, um berçário de sucuris, como é o caso dessa região”, afirmou Henrique Abrahão Charles.
Em outra experiência relatada, ocorrida em junho de 2021, o influenciador enfrentou novo susto ao se aproximar de uma serpente que tomava sol na vegetação. “Eu estava com um amigo. Vimos uma sucuri no meio da vegetação, tomando sol e parecia estar dormindo. Ela se assustou com a gente, deu um bote e saiu rápido. Foi engraçado”.
Veja o vídeo:
