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Guia que acompanhava Juliana Marins revela última conversa com a brasileira

Ali Musthofa relembra últimos momentos com a brasileira e afirma ter feito tudo o que pôde para salvá-la
Juliana Marins (foto Reprodução Redes Sociais)

Juliana Marins (foto Reprodução Redes Sociais)

Na quinta-feira, 31, o guia de montanha Ali Musthofa se pronunciou publicamente sobre a tragédia que vitimou a brasileira Juliana Marins durante uma trilha no vulcão Rinjani, localizado na ilha de Lombok, na Indonésia. A jovem faleceu em junho, após cair em um abismo enquanto participava de um passeio turístico no local.

Durante entrevista ao criador de conteúdo Denny Sumargo, Musthofa compartilhou detalhes dos momentos que antecederam o acidente. Ele relatou que Juliana estava visivelmente exausta e que, por conta de sua falta de experiência, foi oferecido a ela um pacote de acompanhamento individual, o qual foi recusado pela turista.

Últimas palavras e tentativa de ajuda

Musthofa explicou que, por estar conduzindo um grupo de seis pessoas, precisou seguir parte do trajeto à frente, deixando Juliana por alguns minutos em segurança. “A Juliana era a mais lenta, vi que ela estava muito cansada. Mas, no pacote compartilhado, eu tinha seis pessoas. Os demais seguiram adiante. Fiquei preocupado com o grupo da frente porque, quando você chega e sai do cume do Rinjani, é muito perigoso”, afirmou.

O guia também descreveu o último contato com a brasileira, antes de perceber que algo estava errado. “Eu disse para ela: ‘Você pode esperar aqui. Eu só quero checar como eles estão lá na frente. Eu vou te esperar lá’. Eu esperei 30 minutos, e ela não chegou. Voltei ao último lugar e não encontrei nada, mas vi uma lanterna a 150 metros para baixo. Tive a sensação de que era a Juliana. Eu entrei em pânico”, disse Musthofa, visivelmente emocionado.

Em sua tentativa de socorrer a jovem, ele relatou que permaneceu no local, gritando orientações para que ela ficasse imóvel. “Eu fiquei lá o tempo todo porque continuava dando apoio para a Juliana. Eu gritava para ela lá de cima, para ela esperar e nunca, nunca se mover. Ela só conseguia dizer ‘help me’”, lembrou o guia.

Pedido de desculpas e encontro com a família

Ali Musthofa contou ainda que alimentou esperanças de que Juliana pudesse ser resgatada com vida. “Sim, [tinha esperança de que ela sobrevivesse]. E também queria poder pedir desculpas a ela. Pelo menos ter a chance de dizer ‘me desculpe’”, desabafou.

O guia revelou que, após o ocorrido, se encontrou com o pai e a irmã de Juliana na embaixada do Brasil para explicar o que havia acontecido. “Encontrei o pai e a irmã dela na embaixada do Brasil. Informei sobre a queda da Juliana, dei a cronologia dos fatos e pedi desculpas a eles também. Eles ficaram com raiva. Eu disse que aceito qualquer consequência. Falei com sinceridade, que fiz tudo o que pude para salvar a Juliana, mas infelizmente Deus quis diferente”, concluiu.

alfinetei

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