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Câncer que matou Preta Gil pode causar 36% mais mortes até 2040; entenda

Estudo da Fundação do Câncer alerta para diagnósticos tardios e ausência de rastreamento estruturado no país
Preta Gil (reprodução Instagram)

Preta Gil (reprodução Instagram)

No Dia Nacional da Saúde, a Fundação do Câncer divulgou uma estimativa preocupante: até 2040, o número de mortes por câncer colorretal no Brasil deve crescer 36,3%. A doença, que recentemente vitimou a cantora Preta Gil aos 50 anos, se torna cada vez mais preocupante diante da falta de políticas públicas de rastreamento e do alto número de diagnósticos em estágio avançado.

A análise faz parte do 9º volume do boletim info.oncollect e traça um panorama das projeções de mortalidade pela doença para os próximos 15 anos. O cenário mais grave é registrado nas regiões Sudeste e Sul, que devem apresentar os maiores aumentos no número absoluto de óbitos.

Estágios avançados agravam mortalidade no país

Com base em dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, o levantamento utiliza projeções em intervalos de cinco anos até 2040. A Região Sudeste lidera em número absoluto de mortes, com previsão de crescimento de 34%. Em todo o território nacional, estima-se um aumento de 35% nas mortes entre os homens e 37,6% entre as mulheres.

As regiões Centro-Oeste e Sul chamam atenção por concentrar os maiores índices de óbitos em estágio IV, o mais avançado da doença. Entre os homens, os percentuais chegam a 58,5% e 56,3%, respectivamente. Já entre as mulheres, os números são ainda maiores, com 59,4% no Centro-Oeste e 57,5% no Sul.

De acordo com a Fundação do Câncer, países que implantaram programas sistemáticos de rastreamento conseguiram elevar a taxa de sobrevida a até 65% após cinco anos. No Brasil, essa taxa é significativamente mais baixa: 48,3% para câncer de cólon e 42,4% para câncer de reto.

A ausência de um programa nacional estruturado de rastreamento populacional, com convocações regulares da população-alvo, é apontada pelos especialistas como um dos principais obstáculos para diagnósticos precoces. Hoje, o país adota um modelo oportunístico, que depende da iniciativa individual do paciente para realizar exames.

A Fundação também destacou os principais fatores de risco associados à doença: envelhecimento, histórico familiar, consumo frequente de carnes processadas, falta de atividade física, excesso de peso, tabagismo e uso excessivo de álcool.

“É essencial fortalecer as políticas públicas de prevenção primária, com incentivo a hábitos saudáveis, e de prevenção secundária, por meio de rastreamento organizado”, afirmou Luiz Augusto Maltoni, diretor executivo da Fundação do Câncer.

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