Preso preventivamente nesta sexta-feira, dia 15, Hytalo dos Santos é alvo de investigação do Ministério Público e do Ministério do Trabalho da Paraíba por exploração e exposição de menores de idade. O Ministério do Trabalho, inclusive, recomendou a suspensão da empresa Fartura Promoções, que utilizava o influenciador e os “filhos” como divulgadores de rifas.
Apesar da recomendação, a página de sorteios continua ativa nas redes sociais. Nos vídeos, Hytalo e os filhos aparecem anunciando prêmios como cheques de R$ 1,2 milhão, motos e celulares iPhone. A última publicação, de 11 de junho, mostra uma vencedora recebendo o cheque e a transferência do prêmio.




“Eu sei que a galera que assiste às vezes duvida, fala para eles”, disse Hytalo ao falar com a vencedora, reforçando a veracidade do sorteio. Em seguida, ele chamou os filhos para reproduzir a sequência comum nos vídeos de “uma palma, duas palmas e três palmas”, até que todos gritassem o nome da vencedora, seguido de “Milionária”.
Sorteios e críticas
A fala de Hytalo também funcionou como resposta às reclamações de participantes sobre a compra de cotas e mudanças nas datas dos sorteios. “O Fartura premiações e Hytalo Santos agradecem a confiança, e a espera. Houve vários imprevistos, quem é ‘carregadinho’ sabe, e assistiu”, dizia a legenda de um dos posts.
Hytalo Santos divulgou pelo menos três sorteios pela Fartura Premiações e era contratado da marca desde novembro de 2023. Toda a comunicação da empresa utilizava o perfil do influenciador nas redes sociais, além de uma ilustração com seu rosto.
Com o avanço das investigações sobre exploração infantil, o Ministério Público do Trabalho da Paraíba, o Ministério Público Estadual e a Polícia Civil emitiram uma recomendação à Loteria do Estado da Paraíba (Lotep) para suspender as atividades da empresa Fartura de Prêmios. Os órgãos apontam que Hytalo utilizava a audiência conquistada com o trabalho infantil para impulsionar a venda de rifas e sorteios.
O documento também destaca que os vídeos analisados apresentavam “indícios de submissão de adolescentes a práticas de ‘adultização’ e exposição midiática com conotação sexual para obtenção de lucro; considerando que a utilização da imagem de crianças e adolescentes para a geração de receita configura exploração de trabalho infantil, bem como se alinha a situações de risco já reconhecidas que correlacionam a superexposição digital a riscos de aliciamento e danos psicológicos”.
“É importante destacar que a exploração do trabalho de crianças e adolescentes também é uma forma de ‘adultização’, sendo a exploração sexual umas das piores formas de trabalho infantil, conforme a Convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho”, disse o procurador do trabalho Flávio Henrique Freitas Evangelista Gondim, que assinou a recomendação junto com a promotora de Justiça de Bayeux, Ana Maria França, os promotores de Justiça Octavio Paulo Neto e Dennys Carneiro Santos, e o delegado geral da Polícia Civil da Paraíba, André Luis Rabelo.
