No dia 19 de dezembro, o juiz Kevin Mullins, do Kentucky, foi morto em circunstâncias inicialmente tratadas como um crime comum cometido por seu amigo, o xerife local Shawn Stines. Porém, novos depoimentos trouxeram à tona acusações de um suposto esquema de exploração sexual comandado pelo magistrado, dando ao caso uma dimensão muito mais grave e sombria. Segundo vítimas, Mullins utilizava sua posição no tribunal para exigir favores sexuais de mulheres jovens, que eram coagidas a se submeterem para evitar punições legais.
As primeiras investigações apontaram apenas para um desentendimento entre o juiz e Stines. No entanto, os relatos de ex-vítimas indicam que a morte de Mullins pode estar diretamente relacionada a esse sistema de abusos, ampliando as suspeitas sobre o real motivo do crime.

A denúncia de Tya Adams e o envolvimento do juiz
Entre as pessoas que decidiram falar publicamente está Tya Adams, que relatou ter participado de um “esquema de sexo por favores” envolvendo o juiz e outros moradores influentes da cidade. Ela afirmou que Mullins exigia relações sexuais em troca de benefícios jurídicos, ressaltando que a situação não era voluntária. “Fazíamos festas de sexo, fazíamos shows e fazíamos sexo com eles, coisas assim. Era consensual, mas éramos tão jovens e eles usavam isso contra nós para destruir nossas vidas”, disse Tya.
Ainda em seu depoimento, Tya destacou como a prática era encarada como algo comum na comunidade. “Quem acreditaria nisso, afinal? Porque a cidade inteira estava fazendo isso. Ninguém se importa. Eles são todos swingers. É tudo uma grande festa para eles. Era tão normal.”
A confissão de Sarah Davis e novas acusações
Sarah Davis, que atuou como vice-chefe da penitenciária do Condado de Letcher, confirmou publicamente que os rumores sobre a conduta de Mullins eram conhecidos. Segundo ela, a confirmação veio após experiências pessoais durante o trabalho na prisão. “Praticamente todo mundo no condado sabe. Mas isso me foi confirmado depois de trabalhar na cadeia do condado, especialmente depois de eu mesmo ter sido convidado para uma festa”, revelou Sarah.
Outra denúncia partiu de Sabrina Adkins, que relatou ter sido coagida em 2022 pelo xerife adjunto Ben Fields a oferecer favores sexuais em troca de prisão domiciliar. Sabrina também afirmou ter presenciado Mullins mantendo relações sexuais com uma jovem dentro do gabinete, comportamento que, segundo ela, era frequente no tribunal.
Com essas revelações, o assassinato de Mullins deixou de ser visto apenas como uma ação isolada de Shawn Stines. Embora o xerife nunca tenha explicado a motivação do crime, fontes próximas ao caso apontam que uma discussão acalorada na sala do juiz pode ter sido desencadeada pelo próprio esquema de exploração sexual, sugerindo que a morte de Mullins esteja diretamente ligada aos abusos que ocorreriam dentro do tribunal.
