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Empresa é denunciada por venda de ultrassons roubados usados em golpes de paternidade

A prática chamada no Japão de "ninshin sagi" preocupa autoridades por facilitar fraudes emocionais e financeiras contra homens
Empresa é denunciada por venda de ultrassons roubados usados em golpes de paternidade

Na última quinta-feira (26), autoridades japonesas confirmaram que a plataforma de comércio eletrônico Mercari estava permitindo a negociação de exames de ultrassom de gravidez por valores próximos de 14 dólares, o equivalente a 76 reais. As imagens eram comercializadas com possibilidade de edição de data e nome, o que levantou preocupações sobre o uso do material em golpes de paternidade. As informações são do jornal El Tiempo.

O caso ganhou repercussão em agosto de 2025, quando usuários da plataforma X, antigo Twitter, denunciaram a venda de ultrassons e testes de gravidez positivos. A denúncia viralizou com a divulgação de capturas de tela, levantando questionamentos sobre a falta de fiscalização em plataformas de compra e venda online.

O que é o “ninshin sagi”

O golpe relacionado à gravidez é conhecido no Japão como “ninshin sagi”, expressão usada para descrever situações em que uma mulher finge estar grávida para obter dinheiro de um homem com quem manteve relações sexuais. Embora a prática não seja recente no país, especialistas destacam que redes sociais e marketplaces ampliaram as possibilidades de aplicar esse tipo de fraude.

De acordo com analistas em segurança digital, a comercialização de exames falsos pode gerar graves consequências emocionais e financeiras, além de facilitar abusos por meio da manipulação de informações sensíveis.

Riscos de exposição nas redes sociais

Estudos recentes apontam que a divulgação de ultrassons e imagens de gravidez em redes sociais aumenta os riscos de uso indevido. Uma pesquisa realizada em 2024 revelou que o compartilhamento pode expor bebês a roubo de identidade digital, manipulação criminosa e até sequestro virtual.

“Mesmo quando postam sobre a gravidez ou antecipam o nascimento do bebê, elas revelam informações de identificação”, afirmou a pesquisadora responsável pelo estudo, Valeska Berg.

Esse tipo de prática, conhecido como “sharenting”, contribui para a criação de uma identidade digital antes mesmo do nascimento, tornando crianças potenciais alvos de criminosos especializados em crimes virtuais.

Medidas adotadas pela plataforma

Diante da repercussão, a Mercari anunciou em 25 de agosto que a partir de 1º de setembro a comercialização de ultrassons e produtos similares está proibida. A empresa classificou esse tipo de anúncio como inadequado e informou que está utilizando ferramentas de inteligência artificial para excluir automaticamente as postagens. Além disso, usuários que já haviam publicado imagens foram orientados a removê-las imediatamente.

Apesar da decisão, especialistas em segurança ressaltam que a venda de exames de ultrassom falsificados e outras fraudes relacionadas à gravidez não são práticas novas na internet, o que exige monitoramento constante.

alfinetei

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