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Nova lei pode incluir 286 mil novos brasileiros em estudos de medicamentos, diz pesquisa

Regulamentação sancionada por Lula pode atrair 286 mil novos pacientes e gerar investimentos de R$ 2,1 bilhões por ano no setor farmacêutico
Nova lei pode incluir 286 mil novos brasileiros em estudos de medicamentos, diz pesquisa

Nesta sexta-feira (5), um levantamento inédito realizado pela Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), em parceria com a consultoria IQVIA, apontou que a implementação da nova lei de pesquisa clínica no Brasil pode incluir 286 mil novos pacientes em estudos de desenvolvimento de medicamentos. As informações são do GLOBO.

O estudo mostra que a aplicação da regulamentação sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva também poderia gerar R$ 2,1 bilhões em investimento direto no país anualmente, resultando em impacto econômico estimado em R$ 6,3 bilhões por ano. Além disso, a pesquisa indica que cerca de 56 mil profissionais científicos poderiam ser mobilizados para atuar nos novos ensaios clínicos, caso o Brasil se torne um destino mais atrativo para essas análises.

Brasil subiria no ranking global de pesquisa clínica

Segundo Renato Porto, presidente-executivo da Interfarma, com o novo marco regulatório implementado, o Brasil teria condições de subir do 20º para o 10º lugar no ranking mundial de pesquisa clínica. “Se o país tiver esse marco regulatório implementado, haveria uma subida na capacidade de fazer estudos clínicos. Isso porque o Brasil tem outras características naturais (positivas). Há uma grande população urbana, miscigenada, há excelente base científica, centros de pesquisas, uma população gigantesca, de 200 milhões de pessoas”, explicou.

O levantamento compara o Brasil com países como Egito e Turquia, que em poucos anos se tornaram mais relevantes em pesquisa clínica, mesmo apresentando cenários internos menos favoráveis. Outro ponto destacado pelo estudo são os custos mais baixos: pesquisas oncológicas realizadas no Brasil consumiriam apenas 44% do orçamento necessário para estudos semelhantes nos Estados Unidos e ainda seriam mais baratas que na Argentina, Alemanha, Bélgica, Reino Unido e Polônia.

A lei que altera os critérios de pesquisa clínica entrou em vigor em agosto do ano passado, após anos de paralisações e vetos. Entre as mudanças, estão aceleração de prazos, redução do período para fornecimento do medicamento ao voluntário após o fim do estudo e novos critérios para aprovação ética das análises. As regras, contudo, só passam a valer integralmente após regulamentação pelo Ministério da Saúde, que definirá prazos e métodos específicos.

Mesmo sem regulamentação final, o setor farmacêutico já demonstra interesse em investir no Brasil. A Sanofi aplicou R$ 100 milhões em pesquisas no país em 2024, enquanto a Novartis repetiu a mesma cifra, com foco em doenças tropicais negligenciadas como dengue, malária, hanseníase e doença de Chagas, além de áreas estratégicas como terapias gênicas e celulares.

O levantamento da Interfarma destaca ainda que o Brasil possui quase 1,5 mil empresas farmacêuticas instaladas, figurando como o 9º maior mercado farmacêutico do mundo, com tamanho estimado em US$ 33,2 bilhões. “Queremos levar a mensagem da valorização da ciência, da valorização desse ciclo de inovação”, concluiu Renato Porto.

alfinetei

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