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Entregador baleado por policial penal diz: ‘A bala ainda está no meu pé’

Valério Júnior falou sobre recuperação física e psicológica e demonstrou preocupação com a proximidade do agressor
O motociclista Valério Júnior (Foto: Fabiano Rocha Agência O Globo)

O motociclista Valério Júnior (Foto: Fabiano Rocha Agência O Globo)

Valério Júnior, motociclista e entregador baleado pelo policial penal José Rodrigo da Silva Ferrarini durante uma discussão em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, compareceu ao Instituto Médico-Legal, no Centro. De cadeira de rodas e com o pé direito enfaixado, ele protocolou exames e laudos que agora passam a integrar o inquérito conduzido pela 32ª DP (Taquara).

Segundo Valério, os médicos recomendaram paciência, pois é necessário aguardar o processo de cicatrização antes de avaliar uma cirurgia mais delicada. O motivo é a presença de uma veia importante na região atingida, o que exige cautela para evitar complicações.

Apoio psicológico e medo pela proximidade

Além da recuperação física, o entregador contou que está recebendo suporte para cuidar da saúde mental. “O iFood conseguiu me responder com a oportunidade de terapia psicológica, então já começa hoje a terapia”, afirmou.

Um dos pontos que mais o angustia é o fato de ainda viver muito perto do agressor. Valério revelou que os condomínios ficam praticamente colados, o que lhe causa receio diário. “A distância é de cinco metros. O meu condomínio termina no condomínio dele. Então é uma preocupação”, disse.

Sobre a prisão temporária de Ferrarini, decretada por 30 dias, Valério admitiu que sentiu algum alívio, mas ressaltou que a sensação de insegurança continua. “O que me passa na cabeça é que isso não pode passar como algo normal. Ele tem que pagar, não pode ficar impune”, afirmou.

Como o caso aconteceu

O episódio ocorreu no dia 29 de agosto, na Rua Carlos Palut, em um conjunto de prédios conhecido como Merck. Na ocasião, Valério se recusou a subir até o apartamento de Ferrarini para entregar o pedido e pediu que o cliente fosse buscá-lo no portão. Incomodado com a recusa, o policial penal desceu, confrontou o entregador e efetuou o disparo enquanto ele filmava a situação.

Logo após ser atingido, Valério pediu ajuda aos porteiros. “Ô, Tião! Me ajuda aqui, Tião! Ele me deu um tiro, Tião! Chega aí, Tião! Sou eu, Valério!”, gritou desesperado. Ele foi socorrido rapidamente, levado ao Hospital municipal Lourenço Jorge e liberado após atendimento.

Na sequência, Ferrarini se apresentou à 32ª DP, alegou que o disparo havia sido acidental e acabou liberado. Porém, após ouvir o depoimento de Valério, a polícia decidiu indiciá-lo por tentativa de homicídio qualificado. Pouco depois, a Justiça expediu um mandado de prisão temporária e o policial foi detido.

A Secretaria estadual de Administração Penitenciária afastou Ferrarini por 90 dias e abriu processo administrativo disciplinar. Em nota, a pasta classificou a conduta do servidor como “abominante” e informou que a corregedoria acompanha o andamento das investigações.

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