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7 em cada 10 alunos do ensino médio usam IA, diz pesquisa

Pesquisa mostra desigualdade no acesso e falta de preparo docente diante das novas tecnologias
7 em cada 10 alunos do ensino médio usam IA, diz pesquisa

Nesta terça-feira (16), o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) divulgou dados que revelam que 70% dos estudantes do ensino médio que utilizam a internet recorrem a ferramentas de inteligência artificial generativa, como ChatGPT, Copilot e Gemini, para realizar pesquisas escolares.

Apesar da ampla adesão, apenas 32% dos jovens afirmam ter recebido orientação formal dentro das instituições de ensino sobre o uso adequado dessas tecnologias. As informações são do O Globo fazem parte da pesquisa TIC Educação 2025, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

O levantamento mostra que o uso de inteligência artificial também já aparece em outras etapas do ensino, embora em menor escala: 15% dos alunos dos anos iniciais e 39% dos anos finais do ensino fundamental utilizam ferramentas digitais desse tipo. Considerando as três faixas escolares, a média nacional é de 37%, mas somente 19% dos estudantes receberam algum tipo de instrução de professores sobre como aplicar a tecnologia nos estudos.

Falta de preparo e riscos apontados por especialistas

Para Daniela Costa, coordenadora da pesquisa, compreender o funcionamento da inteligência artificial é fundamental para evitar que estudantes apenas coletem respostas prontas. “É essencial que os alunos compreendam como ocorre o fluxo de produção de informação mediado por tecnologias digitais na sociedade, qual o papel dos serviços digitais neste processo e como os dados que eles fornecem nos ambientes digitais alimentam os diferentes sistemas”, afirma Daniela Costa.

O estudo foi conduzido entre agosto de 2024 e março de 2025, em 1.023 escolas públicas e privadas, com 10.756 entrevistas realizadas, incluindo coordenadores pedagógicos, professores e alunos. Os dados indicam que, fora da sala de aula, jovens utilizam tecnologias digitais para buscar informações, concluir trabalhos escolares e até aprender conteúdos por conta própria. Entre os hábitos mais citados estão a pesquisa sobre matérias não compreendidas (86%), a conclusão de tarefas (84%) e a prática de novos aprendizados (78%).

Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, ressalta que os dados evidenciam mudanças significativas na forma de buscar informações. “Os dados mostram uma mudança no comportamento de busca por informação para realizar trabalhos escolares, com as plataformas de vídeo se tornando fontes de pesquisa tão relevantes para os alunos quanto os buscadores tradicionais”, avalia Alexandre Barbosa.

Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, alerta que a utilização de inteligência artificial exige atenção redobrada. “Principalmente, se considerarmos, também, os limites que professores e o ambiente escolar como um todo ainda têm diante de uma tecnologia nova, e a ausência de orientações mais explicitas de como usar essas ferramentas, que ainda não contam com uma regulação”, pontua Renata Mielli.

Formação de professores e inclusão curricular

A pesquisa mostra que 54% dos professores participaram de atividades de formação sobre tecnologia educacional nos 12 meses anteriores ao levantamento. A maior parte buscou capacitação sobre plataformas, programas e aplicativos voltados à criação de materiais didáticos ou adaptação de atividades ao ritmo dos estudantes. Já a participação em formações específicas sobre inteligência artificial chegou a 59%.

A inclusão da IA no currículo das licenciaturas e cursos de Pedagogia já está em discussão no Conselho Nacional de Educação (CNE). O relator Celso Niskier defende a medida. “É preciso incluir a obrigatoriedade da IA na formação inicial (licenciaturas) e na formação continuada de professores, sob risco de ficarmos para trás nessa revolução digital. Sempre de forma ética e crítica, valorizando e nunca substituindo o papel fundamental do professor no processo de ensino e aprendizagem”, afirma Celso Niskier.

O parecer sobre o tema está em análise e deve ser votado em outubro, enquanto o Ministério da Educação (MEC) e o Congresso Nacional também discutem regulamentações sobre o uso de inteligência artificial na educação.

Desigualdade no acesso digital

De acordo com a TIC Educação, 96% das escolas brasileiras possuem acesso à internet, sendo que 88% contam com conexão dentro da sala de aula. O avanço foi expressivo em instituições municipais, que passaram de 71% em 2020 para 94% em 2024, e em escolas rurais, de 52% para 89%.

Apesar da melhora, a pesquisa mostra disparidades. Enquanto 67% dos alunos da rede estadual utilizam internet para realizar atividades escolares, apenas 27% dos estudantes da rede municipal fazem o mesmo. A disponibilidade de computadores ainda é limitada: somente 51% das escolas municipais oferecem equipamentos para atividades educacionais e 47% têm dispositivos conectados à internet disponíveis para os alunos.

O estudo aponta que 89% dos coordenadores pedagógicos relataram que as instituições ofereceram atividades relacionadas a temas como cyberbullying, privacidade e uso de algoritmos. Porém, apenas 49% realizam essas ações uma ou duas vezes por ano e 30% afirmam que os temas são discutidos somente diante de dúvidas dos alunos.

Essa falta de regularidade mostra que, apesar da expansão da tecnologia nas salas de aula, a integração da educação digital e midiática ao currículo ainda é um desafio em todo o país.

alfinetei

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