Na última sexta-feira (27), pesquisadores divulgaram um levantamento feito em Utah, estado norte-americano com os maiores índices de melanoma, indicando que indivíduos com várias tatuagens ou submetidos a diferentes sessões de tatuagem apresentaram menor probabilidade de desenvolver câncer de pele. O resultado surpreende, já que durante anos existiram dúvidas sobre possíveis riscos relacionados à tinta. As informações são do The Conversation.
De acordo com os responsáveis pelo estudo, participantes com extensas áreas tatuadas tiveram redução de mais de 50% na chance de desenvolver melanoma. Apesar disso, cientistas reforçam que os números precisam ser analisados com cautela, devido a limitações importantes na coleta e análise dos dados.





Falhas e limitações da pesquisa
Um dos principais pontos frágeis identificados está na falta de informações sobre fatores de risco determinantes, como tempo de exposição solar, uso de câmaras de bronzeamento, facilidade em sofrer queimaduras, tipo de pele e histórico familiar de melanoma. Esses dados foram levantados apenas entre pessoas já diagnosticadas com a doença, sem comparação equivalente com indivíduos saudáveis.
Outro aspecto levantado foi o chamado viés comportamental. Pessoas tatuadas relataram mais hábitos de risco, como bronzeamento artificial, mas a suposta proteção permaneceu mesmo após ajustes relacionados ao tabagismo e à prática de atividade física. Não houve, no entanto, levantamento sobre uso de protetor solar ou medidas de proteção solar nos dois grupos, o que pode comprometer a interpretação dos resultados.
A taxa de resposta do estudo também foi considerada baixa, com apenas 41% das pessoas diagnosticadas com melanoma participando da pesquisa, fator que pode indicar viés de seleção. Outro ponto é que não foram coletadas informações sobre a localização das tatuagens, deixando em aberto se estavam em áreas expostas à radiação ultravioleta ou protegidas, variável crucial para avaliar riscos.
Orientação dos especialistas
Mesmo diante dos dados, os próprios autores reforçam que o estudo não prova efeito protetor da tatuagem. Este é um dos primeiros trabalhos de grande porte sobre o tema, e conclusões definitivas ainda não podem ser tiradas. Pesquisas anteriores em outros países já apresentaram resultados divergentes, muitas vezes com amostras pequenas e falta de informações consistentes.
Por enquanto, especialistas orientam que tatuagens não sejam vistas como forma de prevenção do câncer de pele. As medidas reconhecidas pela ciência continuam sendo limitar a exposição solar, aplicar protetor diariamente e realizar acompanhamento médico da pele de forma regular.
