Na manhã desta segunda-feira (20), pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) divulgaram registros de milhares de bagres-abelha escalando uma cachoeira no rio Aquidauana, no Mato Grosso do Sul. O fenômeno foi inicialmente avistado em novembro de 2024 por agentes da Polícia Militar Ambiental. As informações são de O Globo.
As imagens mostram os peixes avançando por paredes rochosas de até quatro metros de altura, mesmo com a força da correnteza. Em alguns trechos, os animais se empilham uns sobre os outros, enquanto outros utilizam fendas naturais para descansar antes de continuar a escalada.


Migração e técnica de escalada surpreendem pesquisadores
Segundo a equipe coordenada por Manoela Marinho, a escalada acontece com uma técnica específica. Os bagres impulsionam-se com força, param em pontos protegidos e retomam a subida, sempre em sincronia com o ciclo diário. Durante as horas mais quentes, permanecem abrigados; à noite, iniciam a escalada em direção a áreas mais elevadas do rio.
Os cientistas explicam que a aderência dos peixes às superfícies molhadas ocorre graças a uma cavidade sob o abdômen, que cria sucção suficiente para mantê-los fixos às pedras lisas, mesmo sem ventosas bucais ou pélvicas. O comportamento também foi observado em outras três espécies que utilizam a mesma rota vertical.
Para os pesquisadores, o fenômeno oferece uma oportunidade única de estudar o Rhyacoglanis paranensis, espécie pequena que raramente ultrapassa nove centímetros e vive em rios de águas turvas. A hipótese mais provável é que os peixes estejam realizando uma migração reprodutiva para áreas mais altas, onde ocorre a desova.
Manoela Marinho ressaltou a importância de proteger os habitats naturais dessas espécies, especialmente diante de ameaças como represamentos e fragmentação de rios. “Observar essas pequenas criaturas em ação nos ajuda a entender suas estratégias de sobrevivência e a necessidade de proteger esses ambientes frágeis”, afirmou à CNN.
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