Na segunda-feira (3), a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) anunciou uma atualização em suas diretrizes sobre dislipidemias e prevenção da aterosclerose, incluindo pela primeira vez a recomendação de medir ao menos uma vez na vida a lipoproteína (a), também conhecida como Lp(a). Essa molécula é uma gordura de origem genética associada a um risco elevado de doenças cardíacas e não sofre influência de hábitos de vida como alimentação inadequada ou falta de exercícios. As informações são do O Globo.
A lipoproteína (a) tem comportamento semelhante ao LDL, o conhecido “colesterol ruim”, acumulando-se nas paredes dos vasos e aumentando o risco de aterosclerose e de problemas cardíacos. O nível considerado adequado é inferior a 30 mg/dL (75 nmol/L). Embora ainda não exista um tratamento específico para reduzir essa gordura, especialistas afirmam que identificar pacientes com altos índices ajuda a direcionar cuidados e prevenir complicações.


Atualização das diretrizes da SBC
Segundo José Francisco Saraiva, membro da SBC e um dos autores das novas orientações, “as novas diretrizes tem por objetivo orientar especialistas e clínicos gerais na identificação do risco cardiovascular, bem como no tratamento das dislipidemias, permitindo dessa forma reduzir a mortalidade por doença cardiovascular no Brasil”.
O excesso de gordura no sangue é um dos principais fatores de risco para doenças do coração. O acúmulo de colesterol nas artérias provoca o enrijecimento dos vasos e dificulta a passagem do sangue, comprometendo a oxigenação dos tecidos e aumentando as chances de infarto e acidente vascular cerebral (AVC), principais causas de morte no país e no mundo.
Além da inclusão da Lp(a), as novas regras da SBC definiram metas mais rigorosas para o colesterol LDL. O limite ideal para pessoas com baixo risco cardíaco passou a ser de até 115 mg/dL, em vez dos 130 mg/dL anteriores. Para risco intermediário, o valor segue abaixo de 100 mg/dL; para alto risco, menor que 70 mg/dL; e para risco muito alto, abaixo de 50 mg/dL.
As diretrizes também criaram uma nova categoria de risco, chamada de risco extremo, na qual o LDL deve permanecer abaixo de 40 mg/dL. A definição do grau de risco leva em conta fatores como histórico familiar, obesidade, diabetes, esteatose hepática e resultados do exame de lipoproteína (a).
Outro ponto revisado foi o valor de referência para o colesterol não-HDL, que considera todas as partículas de colesterol exceto o HDL, classificado como “bom”. O novo parâmetro ideal é de até 145 mg/dL para indivíduos de baixo risco, enquanto o limite anterior era de 160 mg/dL. Para as demais faixas, os valores permanecem: risco intermediário abaixo de 130 mg/dL, alto menor que 100 mg/dL, muito alto inferior a 80 mg/dL e extremo até 70 mg/dL.
As diretrizes também passaram a recomendar o uso combinado de estatinas, ezetimiba, terapias anti-PCSK9 e ácido bempedoico para pacientes de risco alto a extremo que apresentem colesterol elevado, “especialmente em casos de intolerância às estatinas ou necessidade de redução adicional do risco cardiovascular”.
