Um vídeo gravado em um parquinho público de Copacabana, na Zona Sul do Rio, mostra uma mulher colocando um jabuti em um balanço e empurrando o brinquedo, de forma semelhante ao que costuma ser feito com crianças. Durante a cena, uma menina brinca próxima ao local e, após alguns instantes, o animal é retirado do balanço, colocado no chão e passa a caminhar pela área. As informações são do O Globo.
As imagens circularam nas redes sociais e despertaram reações distintas entre usuários. Parte do público interpretou a atitude como uma brincadeira sem intenção de causar dano, enquanto outros apontaram possível prática de maus-tratos, destacando o desconforto imposto ao animal silvestre.


Reações do público e avaliação técnica
O vídeo foi feito pelo DJ Rapha Lima, na Praça Serzedelo Correa, e publicado em seus perfis digitais. Segundo ele, a mulher afirmou que a tartaruga se chama Margarida. Na legenda da postagem, ele escreveu: “Isso é Copacabana meu amores. Não tentem entender! Aqui é especial!”.
Em relato sobre o momento, o DJ afirmou que estava no parquinho quando a mulher chegou com o animal e utilizou o balanço. Ele contou que pediu autorização para gravar e recebeu consentimento. De acordo com o DJ, a mulher comentou que levava o jabuti ao local com frequência e que o animal teria mais de 30 anos, argumento usado para reforçar que a prática seria comum. Ele afirmou que apenas registrou a cena por considerá-la curiosa, sem avaliar se se tratava de maus-tratos.
Entre os comentários publicados, alguns usuários defenderam a mulher e minimizaram a situação. Outros demonstraram indignação. Uma internauta escreveu: “Maus-tratos acontecendo e as pessoas naturalizando o absurdo. Animal silvestre sendo exposto a stress e desconforto por pessoa desinformada e ainda negligência da por todas as outras que normalizam tratar o bicho como se fosse um humano”. Outra questionou: “Será que ela imagina mesmo que a tartaruga tá curtindo?”.
Para a bióloga Cecília Bueno, doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professora titular do mestrado em Ciência do Meio Ambiente, Biologia e Engenharia Ambiental da Universidade Veiga de Almeida, o animal foi submetido a estresse e também a risco físico. Segundo a especialista, o jabuti não apresenta comportamento lúdico semelhante ao de cães e pode sofrer com esse tipo de exposição.
A bióloga explicou ainda que o jabuti-piranga, da espécie Chelonoidis carbonaria, pode ser comercializado e mantido legalmente como animal de estimação no Brasil, desde que a compra seja feita em criadouros autorizados por órgãos ambientais como o Ibama ou, no caso do estado do Rio, o Inea. Ela acrescentou que se trata de uma espécie longeva, o que faz com que muitos exemplares acabem devolvidos ou abandonados ao longo do tempo.
