O WhatsApp declarou na quinta-feira (12/02) que autoridades russas estariam tentando bloquear integralmente o funcionamento do aplicativo no país, com impacto potencial sobre mais de 100 milhões de pessoas, segundo comunicado divulgado sobre a situação na Rússia. A plataforma informou que a ação poderia levar usuários a migrar para um mensageiro estatal. As informações são do Reuters e da CNN.
Em nota, a empresa disse que trabalha para manter o acesso ativo e criticou a iniciativa. “Tentar isolar mais de 100 milhões de usuários de uma comunicação privada e segura é um retrocesso e só pode levar a menos segurança para as pessoas na Rússia”. “Continuamos fazendo todo o possível para manter nossos usuários conectados.”


Saiba a reação das autoridades
No mesmo dia, domínios vinculados ao serviço deixaram o cadastro nacional de endereços digitais da Rússia, interrompendo a entrega de IPs para dispositivos locais e limitando o uso direto, o que levou parte da população a depender de redes privadas virtuais. Órgãos governamentais responsáveis por comunicação não apresentaram resposta imediata a questionamentos.
As limitações começaram meses antes. Desde agosto, reguladores russos vêm restringindo funções de chamadas e outros recursos, alegando falta de cooperação com investigações sobre fraudes e terrorismo. Em dezembro, novas medidas foram anunciadas com acusações de descumprimento da legislação e de utilização do aplicativo “para organizar e executar atos terroristas em território nacional, recrutar seus autores e cometer fraudes e outros crimes”.
Com as barreiras ampliadas, muitos usuários passaram a recorrer a alternativas e a VPNs para manter contato. Em declaração à agência estatal TASS, o porta voz do Kremlin apontou possibilidade de entendimento se a empresa aceitasse negociar e obedecer às normas nacionais. “Se a empresa (Meta) mantiver uma posição intransigente e, eu diria, se mostrar indisposta a se adequar à legislação russa, então não há chance”.
Paralelamente, autoridades incentivam a adoção do aplicativo estatal MAX, que reúne funções ligadas a serviços públicos. Críticos afirmam que a ferramenta pode permitir rastreamento de pessoas, enquanto representantes governamentais classificam tais alegações como infundadas e dizem que o sistema foi concebido para facilitar atividades cotidianas.
