As eleições legislativas da Colômbia terão um elemento inédito neste ano: a participação de uma candidata criada por Inteligência Artificial. Batizada de “Gaitana IA”, a figura concorre pela circunscrição indígena e se apresenta como uma plataforma política baseada em tecnologia e participação coletiva.
Com aparência feminina e pele azul, Gaitana IA defende pautas ambientalistas e a proteção dos direitos dos animais. A iniciativa foi desenvolvida pelo engenheiro mecatrônico Carlos Redondo e pela estudante de psicologia Natalia Aase. Segundo os criadores, a proposta é transformar a candidatura em um canal de decisão comunitária, utilizando ferramentas digitais para ampliar a participação popular.
A candidata se comunica com o público por meio de vídeos publicados nas redes sociais. Nas gravações, apresenta um modelo de atuação parlamentar baseado em votações abertas, transparentes e tecnicamente protegidas contra alterações, nas quais a comunidade poderia deliberar sobre cada posicionamento a ser adotado no Congresso.
Em um dos vídeos, Gaitana afirma que a própria Inteligência Artificial poderia ser utilizada para estruturar projetos de lei. A proposta prevê que cidadãos apresentem ideias à plataforma, que seriam organizadas pela IA e compartilhadas com a comunidade. Caso haja consenso, o texto seria formalmente protocolado no Legislativo.
“Você explica a proposta à Inteligência Artificial. Ela estrutura e compartilha com a comunidade. Se houver consenso, o projeto será formalmente apresentado ao Congresso. Simples e direto. Cada cidadão se transforma em um congressista”, diz a personagem em uma das publicações.
A candidatura levanta debates sobre os limites legais da participação de sistemas de IA no processo eleitoral, além de questionamentos sobre o uso da tecnologia como instrumento de ampliação da democracia e da representação política.
