Na sexta-feira (03/04), em Piracicaba, no interior de São Paulo, pesquisadores da Universidade de São Paulo anunciaram o nascimento do primeiro porco clonado no Brasil, com 2,5 kg e em condições saudáveis, como parte de estudos voltados à produção de órgãos para transplantes. As informações são do Jornal Nacional.
O animal integra um projeto do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante, que pretende, no futuro, ampliar a oferta de órgãos para cerca de 48 mil brasileiros que aguardam transplantes.


Técnica busca reduzir rejeição em humanos
O estudo utiliza o conceito de xenotransplante, que consiste na transferência de órgãos entre espécies. Os porcos são considerados adequados devido à semelhança anatômica com humanos.
Pesquisadores identificaram genes responsáveis pela rejeição e desenvolveram métodos para desativá-los. Além disso, foram inseridos sete genes humanos nos óvulos, com o objetivo de aumentar a compatibilidade dos órgãos.
Desafios e próximos passos
A equipe dominou a modificação celular em 2022 e avançou para a etapa de clonagem, considerada mais complexa. O processo apresenta baixa eficiência, com taxas entre 1% e 5% em centros especializados, o que torna o avanço significativo.
“Laboratórios em que já têm essa técnica estabelecida, reportam uma eficiência de 1% a 5% apenas. A gente testou vários protocolos, várias questões técnicas diferentes e, finalmente, nós conseguimos”, afirmou o pesquisador Ernesto Goulart.
A próxima fase envolve a clonagem de embriões já modificados geneticamente, etapa necessária para iniciar estudos pré-clínicos e, posteriormente, testes em humanos.
Aplicação futura no sistema de saúde
O coordenador do projeto, Jorge Kalil, destacou que o avanço representa um passo importante, mas ainda exige estudos adicionais. “Nós não sabemos tudo. É só fazendo os transplantes, estudando muito o que vai ser feito, é que nós vamos descobrir algumas nuances que nós vamos poder melhorar.”
Segundo o pesquisador, o desenvolvimento nacional da tecnologia é essencial para viabilizar o acesso pelo sistema público de saúde, evitando custos elevados com importação de órgãos e ampliando o atendimento à população.
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