Na terça-feira (21/04), data da final do Big Brother Brasil 26, a temporada chega ao fim marcada por críticas, intervenções externas e questionamentos sobre práticas adotadas pela produção. A edição, chamada de “edição de colecionador”, trouxe grande visibilidade, mas também expôs problemas que podem influenciar os rumos do programa nos próximos anos. As informações são do Metrópoles.
Desde a estreia em janeiro, o programa enfrentou manifestações negativas do público, que apontaram falhas em dinâmicas, estrutura e situações consideradas degradantes para participantes. A produção realizou ajustes ao longo da exibição, mas as medidas não impediram o aumento da pressão externa.



Questionamentos ultrapassam o público e chegam a órgãos oficiais
No mês de março deste ano, o Ministério Público Federal notificou a emissora e recomendou a suspensão de práticas consideradas extremas dentro do reality. A medida incluiu a abertura de investigação civil para avaliar possíveis riscos à integridade física e mental dos participantes.
A temporada contou com cinco saídas fora do fluxo comum do jogo, incluindo expulsões, desistência e afastamento por questões médicas. Entre os casos, Henri Castelli deixou a competição após crises convulsivas, enquanto Pedro optou por sair após comportamento inadequado com outra participante.
A dinâmica do Quarto Branco também recebeu críticas. Uma denúncia encaminhada por uma comissão oficial comparou o método utilizado a práticas de tortura aplicadas durante o período da ditadura militar, o que ampliou o debate sobre os limites do entretenimento.
Provas e limites físicos entram em debate
Durante uma prova de resistência, Henri Castelli apresentou uma crise epiléptica e precisou de atendimento hospitalar. Após retornar ao programa, uma nova crise levou à saída definitiva do ator da competição.
A advogada Letícia Macário afirma que “O que parece ter motivado a atuação do MPF não é apenas a dureza das dinâmicas de prova em si, mas a soma de fatores que podem comprometer a integridade física e psíquica dos participantes”.
A especialista também destaca práticas como privação de sono, isolamento prolongado e esforço físico contínuo. Segundo a análise, “Sob essa perspectiva, a discussão jurídica deixa de se limitar ao consentimento para participar do programa e passa a abranger a adequação das medidas de proteção adotadas pela emissora diante de riscos previsíveis à saúde.”
Caso as recomendações sejam seguidas integralmente, provas de longa duração devem ser limitadas. A orientação prevê restrições a atividades com mais de três horas contínuas e exige pausas para necessidades básicas.
Ainda sobre o tema, a especialista afirma que “A questão relevante aqui é que, em contextos de entretenimento com exposição controlada por terceiros, o dever de cuidado não se limita à existência de suporte médico eventual, mas à prevenção concreta de risco. Isso significa avaliar previamente a compatibilidade das dinâmicas com o estado de saúde dos participantes, estabelecer limites objetivos para interrupção da prova e adotar protocolos proporcionais de monitoramento físico e psíquico”.
Ela acrescenta que “Em caso de reincidência ou de não atendimento das orientações, a tendência é que o inquérito civil [contra a Globo] avance para novas providências judiciais e administrativas. Isso porque a recomendação é um instrumento extrajudicial preventivo, não o ponto final da atuação ministerial”.
Relação com participantes também é questionada
Em fevereiro, Pedro Espindola deixou o programa após tentar beijar uma participante sem consentimento. A emissora informou que a expulsão ocorreria caso não tivesse havido desistência.
A defesa do ex-participante entrou com ação judicial solicitando indenização milionária, sob alegação de falhas no processo de seleção psicológica. A petição afirma ainda que a emissora transformou a saída em um “espetáculo acusatório”.
O especialista Lucas Uster explica que “A ideia é que o participante, ao assinar, estaria ciente dos riscos e concordaria com as condições do programa”, mas ressalta limites legais. Segundo ele, “Não é possível, por contrato, afastar a proteção constitucional à dignidade da pessoa humana. Se ficar demonstrado que determinadas dinâmicas configuram tratamento degradante nos termos do artigo 5º da Constituição, a cláusula contratual que tente exonerar a emissora de responsabilidade pode ser declarada nula, de forma que algum participante que se sentisse lesado poderia pleitear seus direitos em face da emissora”.
Impacto comercial e imagem do programa
A relação com patrocinadores também entrou no centro das análises. O reality depende de ações publicitárias integradas às provas, com premiações que incluem imóveis e veículos.
Durante a temporada, internautas criticaram o valor de alguns prêmios e apontaram problemas na execução de dinâmicas. Situações que exigiram atendimento médico reforçaram questionamentos sobre a condução do programa.
Lucas Uster avalia que “Embora os contratos de patrocínio sejam, em geral, sigilosos, é plausível que algumas marcas estejam avaliando internamente se o cenário atual justifica algum tipo de revisão”.
O especialista explica que “patrocínio em reality shows de grande porte costumam incluir o que chamamos de cláusula moral”. Ele complementa que “Marcas consolidadas tendem a evitar associação com fatos polêmicos porque o impacto não fica restrito ao programa, ele contamina a imagem do produto”.
Final marcada por acontecimentos fora do padrão
A edição termina com recordes de engajamento e também com número elevado de saídas fora do paredão. Entre os casos, ocorreram expulsões por agressões físicas, desistência após comportamento inadequado e afastamento por orientação médica.
A final acontece na noite desta terça-feira (21) com Ana Paula Renault, Juliano Floss e Milena na disputa pelo prêmio.
