Na terça-feira (05/05), familiares informaram que a jovem Ana Clara Antero de Oliveira, vítima de tentativa de feminicídio em Quixeramobim, começou a mexer os dedos após passar por cirurgia de reimplante das mãos no Instituto Doutor José Frota. A paciente permanece internada e apresenta evolução considerada positiva pela equipe médica. As informações são do g1 CE.
Segundo relatos da família, a jovem está consciente, consegue falar e recorda os acontecimentos. O padrasto descreveu a reação ao perceber os primeiros movimentos. “A gente ficou a tarde conversando um pouco. Ela é muito lúcida de tudo que aconteceu. O mais importante de tudo é que o doutor mandou ela mexer com o dedo e ela já começou a mexer com os dedos das duas mãos, o dedo do polegar e o vizinho do polegar. Isso para mim é uma vitória muito grande, uma evolução muito grande e muito rápida”.


Detalhes da recuperação da mulher
O procedimento cirúrgico foi classificado como complexo e durou mais de 10 horas, com participação de uma equipe especializada. De acordo com o cirurgião João Gilberto Macêdo, a reconstrução envolveu estruturas ósseas, tendões e nervos dos membros superiores. “É um caso triste, lamentável. Quando chegou aqui ao IJF, já foi direcionada ao centro cirúrgico para realizar uma cirurgia complexa. A paciente foi submetida a uma cirurgia de alta complexidade, onde foi reconstruída a parte óssea, a parte de tendão extensor, flexor, de nervos periféricos, enfim. Foram reconstruídas todas as estruturas, tanto do membro superior direito quanto do membro superior esquerdo.”
O médico também destacou as próximas etapas do tratamento. “Ela foi extubada ontem [3] à tarde, já está consciente, está recebendo atendimento multidisciplinar, com a psicologia, com assistência social (…) A gente espera que a cirurgia evolua com desfecho favorável, até agora as notícias são positivas, a perfusão (fluxo de sangue através do sistema circulatório) está excelente e a gente espera os próximos dias para saber como é que vai evoluir esse reimplante”.
A recuperação deve ocorrer de forma gradual, com acompanhamento contínuo do fluxo sanguíneo e sessões de fisioterapia ao longo de aproximadamente um ano. “A perfusão está bem, então nesse momento acompanhar a perfusão, a vascularização e no segundo momento a reabilitação. Vai ser necessário fisioterapia e acompanhamento por um ano aproximadamente”.
A investigação aponta que o ataque ocorreu na sexta-feira (01/05), quando a jovem sofreu agressões com uso de foice. Dois suspeitos foram presos e seguem à disposição da Justiça após decisão em audiência de custódia.
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