Uma perícia da Polícia Civil de São Paulo identificou em (08/05) mensagens atribuídas ao tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto com investidas direcionadas a uma soldado da Polícia Militar meses antes da investigação que apura a morte da esposa do oficial, Gisele Alves Santana, na capital paulista. As informações são da CNN Brasil.
A investigação começou após denúncia de assédio apresentada pela soldado contra o oficial, apontado como réu por feminicídio e fraude processual no caso da morte de Gisele Alves Santana.




Conversas apontam insistência e propostas profissionais
O documento analisado pela perícia reúne diálogos nos quais Geraldo Leite Rosa Neto utilizava a posição hierárquica para tentar criar proximidade com a subordinada.
Segundo o parecer técnico, o oficial fazia pedidos ligados à rotina de trabalho e prometia benefícios profissionais. Em uma das conversas, o tenente-coronel pediu que a soldado preparasse café para colegas e afirmou que pretendia indicar o nome da policial para atuar como “secretária”. A subordinada recusou o convite.
As análises também apontam mensagens em que o oficial dizia querer morar perto da soldado. Em conversa enviada em setembro de 2025, Geraldo Leite Rosa Neto afirmou que esteve na rua do condomínio onde a policial mora e escreveu: “Acho que vou ver um apartamento pra eu morar aí”.
Convites pessoais e mensagens de teor íntimo
A perícia também identificou mensagens com convites para frequentarem missa juntos. Segundo o relatório, o oficial afirmou que a ideia surgiu após uma “conversa com Deus”.
Outros diálogos reunidos na investigação mostram pedidos de namoro e mensagens de teor íntimo enviados à subordinada. Em uma das conversas, Geraldo Leite Rosa Neto escreveu: “Não vejo a hora de te dar um beijo bem gostoso nessa sua boca deliciosa”. Após negativa da policial, o oficial insistiu com a frase: “Me dá um beijo então”.
Mensagens posteriores mostram declarações sobre planos de casamento e formação de família.
Oficial se descrevia como homem “religioso” e “honesto”
Segundo o parecer técnico, o tenente-coronel utilizava diferentes mensagens para reforçar imagem pessoal diante da subordinada. Entre os termos utilizados estavam “homem bom”, “do bem”, “religioso”, “honesto”, “trabalhador”, “educado” e “dedicado”.
A soldado pediu afastamento do oficial após contato feito por Gisele Alves Santana por meio de rede social.
A defesa da policial apresentou denúncia à Corregedoria da Polícia Militar com acusações de assédio sexual, assédio moral, ameaça, fraude processual e descumprimento de missão.
Em nota, a defesa de Geraldo Leite Rosa Neto afirmou que não possui conhecimento sobre a denúncia.
Investigação sobre morte de policial militar
Gisele Alves Santana, de 32 anos, morreu no apartamento onde morava no Brás, região central de São Paulo, em 18 de fevereiro. A investigação começou como hipótese de suicídio, mas passou a apurar feminicídio qualificado e fraude processual após análises periciais.
Geraldo Leite Rosa Neto permanece preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde março. O Ministério Público denunciou o oficial por feminicídio e fraude processual.
Laudos periciais, depoimentos e provas extraídas de aparelhos eletrônicos levaram investigadores a descartar a hipótese de suicídio. Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo, o conjunto de evidências aponta sinais de violência antes da morte.
O exame necroscópico concluiu que o disparo ocorreu com a arma encostada na cabeça da vítima, em trajetória incompatível com tiro autoinfligido. Peritos também encontraram lesões no rosto e no pescoço, além de marcas compatíveis com imobilização antes da morte.
