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Denúncia de contaminação em produtos Ypê foi feita por empresa concorrente; VEJA

Documentos enviados à agência e à Senacon apontaram presença de bactérias em detergentes e lava-roupas líquidos analisados pela multinacional
Ypê (Foto Reprodução Redes Sociais)

Ypê (Foto Reprodução Redes Sociais)

A Unilever foi a empresa que informou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária e à Secretaria Nacional do Consumidor sobre suspeitas de contaminação microbiológica em produtos da Ypê. A denúncia foi feita meses antes da suspensão aplicada pela Anvisa contra itens líquidos produzidos pela Química Amparo. A informação veio a público nesta quinta-feira (14/05), após divulgação de documentos enviados pela empresa às autoridades, com relatos sobre análises em detergentes e lava-roupas da marca. As informações são do g1.

A reportagem teve acesso aos materiais encaminhados pela multinacional, que também foram divulgados pela Folha de S.Paulo. Em uma das notificações, protocolada em outubro de 2025, a companhia informou que encontrou a bactéria Pseudomonas aeruginosa/paraaeruginosa em quatro lotes da linha Tixan Ypê Express após exames internos e testes conduzidos pelo laboratório Charles River. O documento descreve o instituto como responsável por “um dos maiores bancos de dados genéticos do mundo”.

Denúncias citaram risco à saúde e possível recolhimento de produtos

Os documentos indicam que os lotes avaliados pertenciam às versões “Cuida das roupas” e “Combate mau odor”, todas com validade até junho de 2027. A multinacional afirmou que os produtos apresentavam “desvio microbiológico relevante” e mencionou “iminente risco à saúde e segurança dos consumidores”.

A Unilever também declarou em nota que “realiza rotineiramente testes técnicos em seus produtos e eventualmente nas demais marcas do mercado. Esta é uma prática comum entre as indústrias do setor. A depender dos resultados destes testes, em respeito ao consumidor, as autoridades competentes são notificadas.”

A denúncia apresentada pela companhia sustenta que ocorreu “identificação genética perfeita” da bactéria nos quatro lotes examinados. O texto afirma ainda que não existia “distanciamento genético” entre o material encontrado nas amostras e o DNA presente na base de referência utilizada pelo laboratório.

Segundo os documentos, a multinacional também tomou conhecimento de um suposto “recolhimento silencioso” de produtos Tixan Ypê Express no mercado. A informação levou à ampliação das análises laboratoriais.

Em março de 2026, a empresa apresentou nova denúncia às autoridades. O material indicava contaminação microbiológica em outros 14 lotes de produtos da linha Ypê após exames conduzidos pelo laboratório Eurofins.

Os lotes incluíam versões Tixan Ypê Primavera, Tixan Ypê Maciez, Tixan Ypê Express, Ypê Power Act e um lote do detergente Ypê Lava-Louças Neutro. A denúncia apontou presença de Pseudomonas aeruginosa em todos os itens avaliados, mesma bactéria identificada nas análises anteriores e nos produtos incluídos posteriormente no recall determinado pela Anvisa.

O documento também mencionou traços genéticos de outras bactérias em sete dos 14 lotes analisados. Entre os microrganismos citados estavam Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii e diferentes espécies do gênero Pseudomonas. Segundo a denúncia apresentada pela Unilever, parte desses agentes poderia representar ameaça à saúde humana.

Após receber as notificações, a Anvisa realizou inspeções na fábrica da Química Amparo, localizada em Amparo, no interior de São Paulo. Neste mês, a agência determinou a suspensão da fabricação e da comercialização de produtos líquidos produzidos no complexo industrial, incluindo detergentes, lava-roupas e desinfetantes.

alfinetei

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