Mateus da Costa Meira, de 51 anos, condenado pelo assassinato de três pessoas durante um ataque a um cinema em São Paulo, em 1999, voltou a ser visto em locais públicos de Salvador. Fotografias mostrando o ex-estudante de Medicina em cafeterias, livrarias e no cinema de um shopping center passaram a circular em grupos de WhatsApp, despertando preocupação entre moradores e trabalhadores da região.
Segundo relatos de comerciantes, a presença de Mateus no centro comercial tem provocado receio. A lojista Janaína Chaseliov contou ao jornal que inicialmente teve dúvidas sobre a identidade dele por causa da mudança na aparência, mas que, após a confirmação, a informação rapidamente se espalhou entre os funcionários das lojas. “Quando eu o vi pela primeira vez, fiquei em dúvida, porque ele está bem diferente. Mas logo a informação se espalhou no shopping, deixando os vendedores com medo”, afirmou.

Mateus deixou o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico da Bahia em 2024, após permanecer internado por 13 anos. A internação ocorreu depois que ele tentou matar um colega de cela utilizando uma tesoura. Atualmente, vive sozinho em um imóvel localizado a poucos quarteirões do shopping e não mora mais com os pais.
Em entrevista ao O Globo, a psiquiatra Hilda Morana, que acompanhou a avaliação clínica de Mateus durante quatro meses em São Paulo, afirmou que ele não deveria estar em liberdade. “Ele não pode ficar na rua porque vai fazer maldade”, declarou.
A especialista também afirmou que o ex-estudante possui elevada capacidade intelectual e habilidade para manipular pessoas, característica que, segundo ela, pode influenciar até mesmo processos de avaliação.
Ataque ao cinema marcou o país em 1999
O caso ocorreu em 3 de novembro de 1999, quando Mateus da Costa Meira, então com 24 anos, entrou armado em uma sala de cinema durante a exibição do filme Clube da Luta e disparou contra o público. O atentado deixou três pessoas mortas e outras nove feridas.
Durante o processo, a defesa tentou sustentar que o acusado era inimputável em razão de um transtorno mental grave, argumento que foi rejeitado pela Justiça após avaliações realizadas por uma equipe de psiquiatras.
Os peritos concluíram que o ataque havia sido planejado previamente. Conforme os laudos, Mateus comprou a arma utilizada no crime por R$ 5 mil, adquiriu munições, consumiu cocaína antes da ação e ainda deixou o apartamento onde morava para se hospedar em um hotel, numa tentativa de dificultar sua localização.
Com base nesses elementos, a Justiça entendeu que ele possuía plena capacidade de compreender seus atos e o condenou pelo massacre. Após a sentença, Mateus foi encaminhado para cumprir pena na Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo.
