O governo dos Estados Unidos voltou a discutir internamente a possibilidade de adotar novas medidas contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada pelo Financial Times neste domingo (16/8) e também teria sido confirmada de forma independente pela Reuters.
As conversas dentro da administração de Donald Trump recolocam no centro das atenções a possibilidade de utilização da chamada Lei Magnitsky contra o magistrado brasileiro. O novo impasse estaria relacionado a acontecimentos recentes que provocaram preocupações entre autoridades americanas sobre possíveis ameaças à liberdade de imprensa no Brasil.
Operações autorizadas por Moraes entram no radar americano
Segundo o Financial Times, integrantes do governo Trump acompanham “com apreensão” as medidas de busca e apreensão determinadas por Moraes contra um jornalista e pessoas apontadas como suas fontes. O procedimento investigava a publicação de reportagens relacionadas ao ministro Flávio Dino, também integrante do STF, e a familiares dele.
Na avaliação de fontes ouvidas pelo jornal britânico, o episódio levantou questionamentos em Washington sobre os limites da atuação do Judiciário brasileiro e sobre a proteção à liberdade de imprensa.
Moraes já havia sido alvo de medidas adotadas pelo governo americano. As tensões entre o ministro e autoridades dos Estados Unidos aumentaram em julho de 2025, quando o magistrado foi incluído entre os alvos de sanções impostas por Washington.
A decisão ocorreu em meio às críticas americanas à condução do processo envolvendo Jair Bolsonaro. O ex-presidente havia sido investigado por uma suposta tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022 e acabou preso no decorrer das investigações.
Meses depois, as medidas contra Moraes foram retiradas. A revogação ocorreu em dezembro do ano passado, após um período de articulação diplomática envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
A possibilidade de novas ações por parte dos Estados Unidos acrescenta mais um ponto de tensão à relação entre os dois governos e pode recolocar as decisões de Moraes no centro das discussões diplomáticas entre Washington e Brasília.
