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Tragédia no Nepal deixa 335 mortos e quase 1.500 desaparecidos

Tragédia no Nepal deixa 335 mortos e quase 1.500 desaparecidos

A fronteira entre o Nepal e o Tibete chinês enfrenta uma das maiores tragédias naturais recentes da região do Himalaia. Nesta quinta-feira (27/8), autoridades atualizaram para 335 o número de mortos após uma inundação de grandes proporções atingir diferentes áreas nas últimas 24 horas. As equipes de emergência continuam mobilizadas para encontrar cerca de 1.500 pessoas que permanecem desaparecidas.

As primeiras suspeitas levantadas por moradores apontavam para um possível terremoto, mas a causa do desastre foi outra. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o rompimento de uma geleira provocou a queda de grandes blocos de gelo e rochas, dando início a uma avalanche seguida por uma forte corrente de lama. A enxurrada avançou rapidamente e atingiu comunidades inteiras.

Rios transbordaram e deixaram comunidades isoladas

A violência do fenômeno destruiu pontes, vias de acesso, instalações de energia elétrica e residências. Com a infraestrutura comprometida, várias localidades ficaram isoladas. No Nepal, foram contabilizadas 332 mortes, principalmente no distrito de Rasuwa e nas proximidades dos rios Trishuli e Bhote Koshi.

No território chinês, a região comercial e portuária de Gyirong também sofreu danos significativos. Até o momento, três mortes foram confirmadas no local.

A presença de turistas aumenta ainda mais a dimensão da operação de busca. A área atingida integra uma rota conhecida internacionalmente por receber peregrinos e visitantes que seguem em direção ao Monte Kailash.

No Nepal, há 910 desaparecidos oficialmente registrados. Segundo as autoridades, mais de 700 são estrangeiros. Entre eles estão cidadãos da Índia, Estados Unidos, Ucrânia, Malásia, Austrália, Reino Unido e Canadá.

Na área sob controle chinês, veículos da imprensa estatal informaram que 558 pessoas estão desaparecidas, incluindo pelo menos 260 estrangeiros.

O desastre também reforça as preocupações de pesquisadores sobre os efeitos das mudanças climáticas nas geleiras do Himalaia. O aumento das temperaturas vem alterando essas formações de gelo e favorecendo condições para eventos extremos, além de contribuir para a instabilidade de lagos glaciais.

A operação de emergência enfrenta obstáculos importantes. Estradas permanecem bloqueadas por grandes volumes de detritos, enquanto o Exército do Nepal mobilizou mais de 5 mil integrantes para auxiliar nos trabalhos, inclusive em operações de resgate realizadas com helicópteros.

As condições meteorológicas instáveis dificultam o acesso às áreas atingidas e aumentam a preocupação com um novo desastre. Um grande acúmulo de detritos bloqueou o curso do rio em uma região mais elevada e formou uma espécie de barragem natural. Caso essa estrutura ceda, uma nova onda de inundação poderá atingir as áreas localizadas abaixo.

Por causa do risco, moradores de comunidades próximas aos rios receberam ordens para deixar suas casas. Na tentativa de ampliar a resposta humanitária, a Organização das Nações Unidas anunciou US$ 2 milhões em recursos emergenciais. Estados Unidos, Canadá e Índia também ofereceram ajuda às áreas afetadas.

alfinetei

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