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Argentina enfrenta caos climático com apagões e mortes após chuvas; Veja VÍDEOS

Sensação térmica atinge 47°C em Buenos Aires, enquanto tempestades causam mortes em Bahía Blanca
Argentina (foto Reprodução Redes Sociais) 4

Argentina (foto Reprodução Redes Sociais) 4

A Argentina atravessa uma semana de extremos climáticos que evidenciam o impacto das mudanças ambientais. Enquanto a capital Buenos Aires registrou uma sensação térmica recorde de 47°C, enfrentando apagões massivos, a cidade de Bahía Blanca, no sul da província, foi atingida por chuvas torrenciais que deixaram ao menos seis mortos nesta sexta-feira (7).

A onda de calor na capital argentina foi intensificada por uma massa de ar quente e úmida vinda do Rio da Prata, o que agravou as já recorrentes falhas no fornecimento de energia. O sistema elétrico, sobrecarregado pelo uso de ar-condicionado, entrou em colapso, deixando mais de 620 mil usuários sem luz na última quarta-feira (5), o que equivale a cerca de 2 milhões de pessoas.

As empresas Edesur e Edenor, responsáveis pelo fornecimento de energia, vêm sendo alvo de críticas constantes devido à instabilidade no serviço, com cortes que ultrapassam dez horas consecutivas em algumas áreas. A situação levou moradores a protestarem com panelaços em frente ao Congresso Nacional na noite de quinta-feira (6). Até esta sexta-feira, 26 mil clientes permaneciam sem energia.

Nem mesmo o governo foi poupado dos apagões: a Casa Rosada, sede do Executivo argentino, chegou a ficar sem eletricidade no auge da crise energética.

Chuvas históricas em Bahía Blanca

A tragédia climática também afetou severamente Bahía Blanca, onde uma tempestade histórica despejou 300 mm de chuva em apenas cinco horas – quase metade da média anual da cidade.

As enxurradas arrastaram veículos, derrubaram estruturas e colapsaram hospitais, como o Penna, onde bebês precisaram ser resgatados da UTI neonatal inundada. As cenas das enfermeiras retirando os recém-nascidos em meio à água foram um símbolo da devastação causada pelo temporal.

O governo enviou as Forças Armadas para auxiliar nos resgates, enquanto a província de Buenos Aires tenta lidar com os estragos. O aeroporto local foi fechado e o transporte público foi completamente suspenso.

Crise climática e tensão política

Os eventos climáticos extremos acontecem em um momento delicado para o governo do presidente Javier Milei, que já manifestou a intenção de retirar a Argentina do Acordo de Paris – compromisso global para reduzir emissões de carbono. Milei também defende publicamente que o aquecimento global não tem relação com a ação humana, contrariando o consenso científico.

A crise ocorre poucos dias depois de Milei pedir a renúncia do governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, principal nome da oposição para as eleições presidenciais de 2027. Agora, o governo federal e a província precisam cooperar para lidar com a destruição em Bahía Blanca, mesmo com a crescente tensão política.

Com o outono se aproximando, a Argentina já teme um novo problema: se o verão trouxe colapsos elétricos, o inverno pode resultar na escassez de gás. No ano passado, o país precisou recorrer ao Brasil para suprir a demanda, e a expectativa é que a exploração do gás de Vaca Muerta possa amenizar a crise energética nos meses frios.

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