Na última segunda-feira (18), cientistas divulgaram os detalhes de um estudo que explica como os pica-paus conseguem golpear madeira com forças até 400 vezes maiores que a gravidade sem sofrer danos internos. A pesquisa, publicada no Journal of Experimental Biology, analisou a coordenação entre respiração e contração muscular dessas aves para compreender o mecanismo que protege seus ossos e tecidos. As informações são do O Globo.
Segundo os pesquisadores, os pica-paus Dryobates pubescens sincronizam a contração dos músculos da cabeça, pescoço, quadris, abdômen e cauda com o ritmo da respiração, criando uma espécie de sistema de engenharia natural. Nicholas Antonson, um dos autores do estudo, explica que “esse tipo de padrão respiratório gera maior cocontração dos músculos do tronco”, destacando que o mecanismo aumenta a potência de cada impacto.



Aves sincronizam respiração e músculos
Os animais foram capturados em Rhode Island e avaliados em laboratório com técnicas de eletromiografia e medições de pressão e fluxo de ar, sendo devolvidos à natureza após os testes. Os cientistas constataram que a cabeça e o pescoço funcionam como alavancas rígidas, enquanto abdômen e flexores do quadril impulsionam o corpo para frente. A cauda serve como ponto de apoio, estabilizando o pica-pau no tronco durante cada golpe.
A expiração ocorre exatamente no instante do impacto, mesmo quando as aves chegam a realizar 13 batidas por segundo, em intervalos de apenas 40 milissegundos para inspirar e expirar. Os pesquisadores observaram ainda que a força é modulada conforme a finalidade: “Ao perfurar madeira para cavar cavidades ou buscar alimento, os músculos do quadril trabalham com mais vigor, gerando golpes potentes. Já nos toques curtos usados para comunicação, a contração é mais suave, preservando energia e diminuindo o desgaste físico”.
O estudo ressalta que essa integração entre sistemas respiratório e muscular representa um exemplo extremo de especialização biomecânica e sugere que mecanismos semelhantes podem existir em outros animais que realizam tarefas de alta demanda motora, como o canto de aves ou a corrida de mamíferos. Os autores afirmam que as descobertas podem inspirar soluções em engenharia e robótica, onde eficiência energética e precisão mecânica são desafios constantes.
