Em meio à polêmica envolvendo a PL 1904, que quer equiparar o aborto realizado após 22 semanas de gestação a homicídio simples, uma menina de 14 anos viajou à Bahia para realizar um procedimento para interromper a gravidez. A informação é da Folha de S. Paulo.
Vítima de abuso sexual cometido pelo marido da avó, ela descobriu a gestação apenas com 29 semanas. A mãe, só soube do abuso após notar um aumento abominal. Então, a menina moradora de São Paulo, falou: “Mãe, tem alguma coisa mexendo na minha barriga”.
A mãe da menina revelou que levava a filha para casa da avó aos finais de semana, levando na sexta e buscando apenas no domingo. O homem de 40 anos, mantinha um relacionamento com a avó da garota há 15 anos, e aproveitava o momento que a esposa saía para trabalhar para cometer os abusos. Ele ameaçou matar as duas, caso a menina contasse para alguém.
“No dia que descobri, fui até a casa da minha mãe e contei para ela. Minha mãe, que tem problema de coração, desmaiou na hora. O criminoso já tinha saído da casa da minha mãe e levado as coisas dele. No mesmo dia, ele ligou para minha mãe, confessou tudo, pediu desculpas, disse que ia se entregar. Mas, claro, sumiu”, disse ela à Folha de São Paulo.
Sendo assim, ela imediatamente abriu um boletim de ocorrência e foi ao Hospital da Mulher, em São Paulo. No entando, a unidade avisou que lá eles só realizavam abortos até a 20ª semana de gestação.
De acordo com a lei, em caso de estupro, quando a gravidez representa risco para mulher, ou em caso de anencefalia, o aborto é legalizado independente da idade fetal.
Sendo assim, a menina foi encaminhada para o Hospital Vila Nova Cachoeirinha, e a cirurgia foi agendada, porém, cancelada. “Foi marcada a cirurgia. Tínhamos comprado tudo, arrumado a mala, quando ligaram do hospital cancelando. Marcaram mais duas vezes e cancelaram”, contou a mãe.
Com a orientação e auxilio de uma assistente social, mãe e filha viajaram, de ônibus, até Salvador, onde o serviço é oferecido. O aborto foi realizado na 31ª semana.
“Ela chorava direto e dizia: mãe, ‘por favor, tira ele de dentro de mim, eu não aguento mais’. Ela não dormia, só chorava, ficou anêmica, temi pela vida dela. Levar a gravidez adiante só iria prolongar o sofrimento e a lembrança do estupro”, contou a mãe.
A mãe da adolescente revelou algumas palavras doloridas de sua filha. “‘tadinho do nenê, mãe, ele não tem culpa’. Eu disse: ‘minha filha, o bebê não tem culpa, você não tem culpa, eu não tenho culpa, quem tem culpa é o criminoso’ (…) Eu não queria ter feito isso, ela também não”.
O abusador segue livre até o momento, de acordo com a reportagem.
