A anedonia é reconhecida como um sintoma frequente de transtornos mentais e pode passar despercebida por ser discreta. Judith F. Joseph, professora assistente clínica de psiquiatria infantil e adolescente na Escola de Medicina Grossman da Universidade de Nova York, explica que essa condição é muitas vezes subestimada.
“Não é visto como uma crise, mas de certa forma é. Uma crise existencial”, afirmou. Segundo Joseph, o termo ainda é pouco conhecido, embora se trate de um dos principais sinais do transtorno depressivo maior, além de estar relacionado a distúrbios como esquizofrenia, transtorno por uso de substâncias e transtorno de estresse pós-traumático. As informações são do O Globo.



Saiba o que caracteriza a anedonia
Durante muito tempo, a anedonia foi entendida apenas como a incapacidade de sentir prazer. Nos últimos anos, profissionais de saúde mental também passaram a associá-la à perda de motivação para buscar experiências agradáveis. Atividades que antes despertavam interesse tornam-se sem sentido, alimentos perdem o sabor e até sair da cama pode parecer exaustivo. Essa falta de estímulo pode levar ao afastamento de pessoas próximas.
“Sinto-me mal” ou “Não me sinto eu mesmo” são expressões comuns entre quem enfrenta esse quadro, segundo Joseph. Mark Rapaport, presidente eleito da Associação Americana de Psiquiatria, relatou um caso de uma paciente que “adorava ir a shows de dança — ela tentava ir, mas não sentia prazer algum. Ela ficava simplesmente sentada lá”.
Ainda que o quadro se assemelhe à depressão, é possível apresentar anedonia sem preencher todos os critérios do transtorno depressivo maior. A intensidade varia: alguns perdem parte da capacidade de sentir prazer, enquanto outros não conseguem sentir alegria alguma. Quando o sintoma se estende por dias ou semanas, pode indicar um problema mais sério. A falta de tratamento pode afetar o sono, o humor e até a alimentação, além de dificultar relações pessoais e aumentar o risco de pensamentos suicidas.
