No dia 4 de setembro, o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, foi julgado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e suspenso por 12 partidas. O processo envolveu uma denúncia de que o jogador teria forçado a aplicação de um cartão amarelo para favorecer apostadores em uma partida contra o Santos, realizada no Mané Garrincha, pelo Brasileirão de 2023. O julgamento se estendeu por mais de oito horas e ainda cabe recurso.
Os auditores absolveram Bruno Henrique da acusação de manipulação para prejudicar intencionalmente uma equipe, prevista no artigo 243 do Código de Justiça Desportiva. Porém, por quatro votos a um, concluíram que ele violou o artigo 243-A, que trata de atitude contrária à ética no esporte. Dessa forma, ele recebeu a suspensão de 12 jogos e multa no valor de R$ 60 mil.


Defesa e próximos passos
A defesa do jogador já anunciou que vai recorrer da decisão. O Flamengo pretende solicitar efeito suspensivo, recurso que geralmente é concedido em casos com suspensão superior a dois jogos. Apesar da possibilidade de indeferimento em razão da gravidade do caso, a tendência é que o pedido seja aceito.
Bruno Henrique não compareceu pessoalmente à sede do STJD, mas participou por videoconferência, acompanhando quase toda a sessão. Em seu pronunciamento, reforçou sua inocência. O advogado Alexandre Vitorino representou o atleta, enquanto o clube foi representado por Michel Assef Filho e Flavio Willeman, vice-presidente do Flamengo.
Além do atacante, outros quatro jogadores amadores também foram denunciados. Claudinei Vitor Mosquete Bassan, Andryl Sales Nascimento dos Reis e Douglas Ribeiro Pina Barcelos participaram da audiência virtualmente, enquanto Wander Nunes Pinto Junior, irmão de Bruno Henrique, foi representado por advogado.
A Procuradoria do STJD enquadrou Bruno Henrique em diversos dispositivos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva: artigos 243, 243-A, 184 e 191, além de itens do regulamento de competições da CBF de 2023.
Investigação na esfera comum
Em abril, a Polícia Federal indiciou Bruno Henrique sob acusação de fraude esportiva. Ele foi denunciado com base no artigo 200 da Lei Geral do Esporte, que prevê de dois a seis anos de prisão para quem fraudar resultados de competições. A denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) foi aceita pela Justiça do DF, e o atacante ainda enfrentará julgamento na esfera criminal.
As investigações também atingem Wander Nunes Pinto Júnior, Ludymilla Araújo Lima, Poliana Ester Nunes Cardoso, Andryl Sales Nascimento dos Reis, Claudinei Vitor Mosquete Bassan e Douglas Ribeiro Pina Barcelos. De acordo com a Polícia Federal, a apuração começou em agosto de 2023, culminando em operações de busca em novembro.
O caso teria origem em uma comunicação de Bruno Henrique a seu irmão, indicando que receberia um cartão amarelo na partida contra o Santos, em Brasília. Pouco depois, apostas significativas sobre a penalidade chamaram a atenção das casas de apostas, levantando suspeitas sobre o envolvimento da família e de amigos próximos.
