A advogada e influenciadora Deolane Bezerra declarou na quinta-feira (21/05) que estava “trabalhando” ao ser questionada pela TV Globo sobre suspeitas de lavagem de dinheiro para Marcos Willians Herbas Camacho, apontado como líder do Primeiro Comando da Capital. A prisão aconteceu em um condomínio de luxo em Alphaville, na cidade de Barueri, na Grande São Paulo. As informações são do g1.
A ação faz parte da Operação Vérnix, conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo. As investigações apontam que uma transportadora sediada em Presidente Venceslau seria utilizada pela cúpula da facção criminosa para movimentação de recursos financeiros e ocultação de patrimônio. Duas contas ligadas ao esquema investigado estariam em nome de Deolane.




Operação mira integrantes da facção e familiares de Marcola
Na saída da sede da Polícia Civil, na região central da capital paulista, Deolane também afirmou que “a Justiça vai ser feita”. A influenciadora foi apontada pelos investigadores como responsável por atuar no fluxo financeiro da organização criminosa.
Após a prisão, Deolane seguiu inicialmente para a Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte de São Paulo. Na manhã desta sexta-feira (22/05), ocorreu a transferência para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista.
Nas últimas semanas, Deolane permaneceu em Roma, na Itália. O nome da influenciadora chegou a integrar a lista de Difusão Vermelha da Interpol antes do retorno ao Brasil, ocorrido na quarta-feira (20/05).
Em nota enviada à imprensa, a defesa declarou que “os fatos serão devidamente esclarecidos por esta”. A Operação Vérnix cumpriu seis mandados de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão. Entre os investigados estão Marcola, Alejandro Camacho, Everton de Souza, conhecido como “Player”, além de familiares do chefe da facção criminosa.
Segundo as autoridades, Marcola e Alejandro Camacho permanecem detidos na Penitenciária Federal de Brasília e receberão comunicação sobre a nova decisão judicial. Até a última atualização da investigação, sobrinhos de Marcola continuavam foragidos.
A Justiça também determinou o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões, além do congelamento de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros ligados aos investigados.
O influenciador digital Giliard Vidal dos Santos e um contador também foram alvo de mandados de busca e apreensão durante a operação.
Investigação começou após apreensão de manuscritos em presídio
As apurações tiveram início em 2019, após a Polícia Penal apreender bilhetes e manuscritos com dois detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material levou à abertura de três inquéritos policiais que identificaram ligações entre integrantes da facção e empresas utilizadas para lavagem de dinheiro.
Entre os documentos analisados, investigadores encontraram referências a uma “mulher da transportadora”, apontada como responsável por levantar informações sobre agentes públicos para atender interesses da organização criminosa.
As diligências identificaram Elidiane Saldanha Lopes Lemos como sócia da transportadora investigada. Segundo a polícia, a empresa atuava como fachada para movimentações financeiras ligadas ao PCC.
As investigações também indicaram que Ciro Cesar Lemos exercia papel estratégico na compra de caminhões, administração patrimonial e execução de ordens atribuídas à liderança da facção criminosa.
De acordo com os investigadores, imagens de depósitos destinados a contas de Deolane Bezerra e Everton de Souza foram encontradas no celular apreendido na residência de Ciro Cesar Lemos, que permanece foragido junto da esposa.
Veja:
Deolane diz estar 'trabalhando' ao ser perguntada sobre lavagem de dinheiro para o PCC https://t.co/gfiEV8n2jN #g1 pic.twitter.com/hPj8E6PWO7
— g1 (@g1) May 22, 2026
