O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu à Justiça a condenação do influenciador fitness Renato Cariani por associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. Caso os pedidos sejam aceitos integralmente, a pena pode chegar a 51 anos e 8 meses de prisão, além de multas. O empresário responde ao processo em liberdade e nega as acusações por meio de sua defesa.
Investigação apura desvio de produtos químicos
Cariani foi um dos alvos da Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023 para investigar um esquema de desvio de substâncias químicas utilizadas na produção de entorpecentes. Na época, a PF apontou que a Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa da qual o influenciador era sócio e que fica em Diadema, na Grande São Paulo, teria fraudado registros de vendas de insumos.
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público, a empresa teria simulado transações comerciais em 59 ocasiões para justificar a saída de produtos químicos. A denúncia também atribui a Cariani a participação na criação de pedidos fictícios e no fornecimento de documentos relacionados às retiradas dos materiais.
O influenciador foi indiciado pela Polícia Federal em dezembro de 2023 e se tornou réu em fevereiro de 2024. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça.
Pena pode ultrapassar 50 anos, segundo cálculo da acusação
Além de Cariani, o Ministério Público pediu a condenação de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes. Conforme a avaliação do advogado criminalista Anderson Almeida citada na reportagem, a soma das penas pode variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses, considerando a associação para o tráfico, 59 crimes relacionados ao tráfico de insumos e outros 59 de lavagem de dinheiro.
O cálculo leva em conta o possível reconhecimento da continuidade delitiva, quando infrações da mesma natureza são praticadas em condições semelhantes, além dos aumentos previstos na legislação. Apesar da soma teórica, o limite máximo de cumprimento de pena no Brasil é de 40 anos.
Gaeco aponta mensagens sobre uso dos insumos
Na denúncia, os promotores também mencionaram conversas extraídas do celular de Cariani que, segundo a acusação, indicariam conhecimento sobre a destinação dos produtos químicos. O órgão afirma que o empresário mantinha contato próximo com um policial civil ligado à fiscalização dessas substâncias e teria recebido informações sobre diligências.
Os investigadores também citaram uma conversa de abril de 2019 na qual, conforme a denúncia, Cariani teria explicado que determinada substância era “utilizada para aumentar o rendimento da cocaína”. Para o Ministério Público, as mensagens e os registros comerciais integram os elementos que sustentam a acusação.
As alegações fazem parte da tese apresentada pela promotoria e ainda dependem da avaliação judicial. O processo está na fase de alegações finais da defesa.
Defesa afirma que buscará absolvição
Em nota ao g1, o advogado Aldo Romani Netto, que representa Cariani, afirmou que o pedido do Ministério Público era esperado e que a defesa apresentará sua resposta aos argumentos da acusação.
“Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa. O processo se encontra agora em fase de alegações finais defensivas. Nela, a defesa irá responder a cada uma das teses apresentadas pelo Ministério Público e demonstrar, com base na prova produzida ao longo da instrução, que elas são improcedentes”, declarou.
O advogado acrescentou: “Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani”.
