Nesta quinta-feira (9), o líder do Hamas em Gaza, Khalil Al-Hayya, declarou o encerramento da guerra com Israel e o início de um cessar-fogo permanente, após negociações conduzidas no Egito. Em discurso transmitido pela televisão, Khalil Al-Hayya afirmou ter recebido garantias dos Estados Unidos, de mediadores árabes e da Turquia de que o conflito foi encerrado de forma definitiva. As informações são do Haaretz.
Durante a declaração, Khalil Al-Hayya confirmou a reabertura da passagem de Rafah, na fronteira entre Gaza e o Egito, em ambos os sentidos, o que permitirá a circulação de civis e a entrada de ajuda humanitária. O líder também anunciou que todas as mulheres e crianças palestinas detidas por Israel serão libertadas. O acordo prevê ainda a retirada das tropas israelenses do enclave, o fim dos ataques militares e a libertação dos reféns vivos, prevista para a próxima segunda-feira, conforme afirmou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que apresentou a proposta.

O governo israelense, liderado por Benjamin Netanyahu, confirmou que todas as partes assinaram a versão final da primeira fase do acordo. Após dois anos de guerra, palestinos e israelenses comemoraram o anúncio nas ruas. Em Gaza, onde grande parte dos 2 milhões de habitantes foi deslocada pelos bombardeios, multidões celebraram nas vias destruídas. “Graças a Deus pelo cessar-fogo, o fim do derramamento de sangue e da matança”, disse Abdul Majeed Abd Rabbo, em Khan Younis. “Não sou o único feliz, toda a Faixa de Gaza está feliz, todo o povo árabe, todo o mundo está feliz com o cessar-fogo e o fim do derramamento de sangue. Obrigado e todo o amor àqueles que estiveram conosco”, acrescentou Abdul Majeed Abd Rabbo em entrevista à agência Reuters.
O que está previsto no acordo e o que segue indefinido
O conflito teve início após o ataque de 7 de outubro de 2023, quando cerca de 1.200 pessoas morreram em Israel, muitas delas civis. Desde então, a ofensiva militar israelense em Gaza provocou mais de 67 mil mortes, incluindo milhares de crianças, além de causar fome generalizada e destruição em larga escala.
A primeira fase do acordo prevê a suspensão das hostilidades, o recuo das tropas israelenses e a libertação dos reféns em até 72 horas, seguida pela entrega dos restos mortais dos demais. Em contrapartida, entre 1.700 e 2.000 prisioneiros palestinos serão libertados, sendo 250 condenados à prisão perpétua. O Hamas também apresentou uma lista de nomes e solicitou a ampliação da entrada de ajuda humanitária no território, embora o cronograma ainda não esteja definido.
Fontes citadas pela BBC indicam que, nos primeiros cinco dias do cessar-fogo, 400 caminhões de ajuda poderão entrar diariamente em Gaza, com aumento gradual nas fases seguintes, mas nenhuma das partes confirmou oficialmente essa informação. Ainda há dúvidas sobre quanto território o exército israelense vai recuar, a possibilidade de desarmamento parcial do Hamas e o modelo de governança que será adotado em Gaza após o término definitivo da guerra.
Segundo o The New York Times, o Hamas pode aceitar reduzir seu arsenal em troca de garantias de Donald Trump de que Israel não retomará o conflito. Questões como a reconstrução de Gaza, a presença de forças internacionais e os termos políticos do acordo final ainda estão em negociação e não têm prazo definido para conclusão.
