Problemas como quedas do sistema e linguagem pouco acessível podem afetar a fila de benefícios, um dos principais desafios do governo Lula. Muitos segurados enfrentam negativas automáticas, já que metade das solicitações é analisada de forma automatizada.
Auditoria realizada pelo próprio INSS no primeiro semestre de 2025, a qual a reportagem teve acesso, mostra que 280.231 dos 543.419 pedidos analisados eletronicamente foram negados – o equivalente a 51,57%. As informações são do Tempo.
Em decisão na última semana, o TCU (Tribunal de Contas da União) apontou falhas nesse modelo de concessão automática e determinou que INSS, Ministério da Previdência Social e Dataprev (Empresa de Tecnologia da Previdência) promovam mudanças em até 180 dias.




Segundo o tribunal, os problemas afetam a fila de benefícios, que ultrapassou 3 milhões de pedidos em fevereiro e caiu para 2,191 milhões em maio – redução de 30% -, o menor nível dos últimos 17 meses, segundo o INSS.
Especialistas
Para especialistas, as dificuldades de acesso ao Meu INSS podem deixar segurados fora do sistema e, consequentemente, fora da fila oficial. Já as negativas automáticas levam muitos a apresentar novos pedidos ou recursos, aumentando o volume de processos. O advogado Rômulo Saraiva, especializado em Previdência e colunista da Folha, afirma que o sistema tem negado benefícios de forma massiva e sem justificativa. Para Saraiva, embora tenha passado por melhorias, o Meu INSS não é intuitivo para grande parte dos segurados.
‘Quando falha, o trabalhador começa tudo de novo”, diz. O advogado aponta a instabilidade da plataforma, marcada por lentidão, quedas frequentes e falhas que podem comprometer prazos.
