No Japão, um dos destinos turísticos mais inusitados e perturbadores encontra-se no norte do país, onde visitantes podem contemplar 16 múmias de monges budistas que se submeteram, ainda em vida, a um ritual de auto mumificação conhecido como sokushinbutsu. Esses monges são reverenciados até hoje por sua fé inabalável e resistência sobre-humana. No entanto, esse processo realizado por eles, agora é considerado brutal, e foi oficialmente proibido no final do século XIX.
A prática não começava com a morte, mas sim com um processo rigoroso de preparação que podia levar quase uma década. Nos primeiros três anos, os monges passavam a se alimentar exclusivamente de nozes e sementes, enquanto seguiam uma rotina intensa de exercícios físicos para eliminar toda a gordura corporal. A etapa seguinte consistia em mais três anos consumindo apenas cascas e raízes, acompanhadas de um chá tóxico feito da seiva da árvore urushi, cuja função era purgar o corpo de parasitas internos que pudessem acelerar a decomposição.




O estágio final era o mais extremo: o monge interrompia totalmente a alimentação sólida e passava a ingerir apenas pequenas quantidades de água salgada por até cem dias. Durante esse tempo, meditava incessantemente sobre a salvação da humanidade, aguardando a aproximação da morte.
Quando sentia que o fim se aproximava, ele era colocado por seus discípulos dentro de uma caixa de madeira revestida de pinho, posicionada no fundo de um poço com três metros de profundidade. A caixa era então coberta com carvão, restando apenas um fino tubo de bambu para ventilação e um pequeno sino. A cada novo dia, o monge fazia o sino tocar, indicando que ainda estava vivo. Quando o som cessava, o tubo era removido e o túmulo era selado.
Nem todos conseguiram
Contudo, nem todos os monges alcançaram o objetivo final da mumificação. “Quando os túmulos eram finalmente abertos, após um período de tempo, alguns corpos foram encontrados apodrecidos. Esses monges foram selados novamente em seus túmulos. Eram respeitados por sua resistência, mas não eram venerados. Os monges que conseguiram se mumificar foram elevados ao status de Buda, expostos e cuidados por seus seguidores”, descreveu o site “Atlas Obscura”.
