Mesmo com recentes proibições da Anvisa neste ano a marcas impróprias, a adulteração de azeite segue frequente em restaurantes e mercados. A substituição do produto por óleos refinados não apenas compromete o sabor, mas também pode trazer prejuízos à saúde, segundo especialistas. As informações são do g1.
A azeitóloga Ana Beloto afirma que azeites legítimos trazem benefícios como redução do colesterol ruim (LDL), aumento do colesterol bom (HDL) e propriedades antioxidantes. No entanto, os falsificados tendem a perder nutrientes e podem conter substâncias indesejadas, inclusive tóxicas.




No restaurante, o primeiro passo é observar a embalagem. “Azeites de qualidade geralmente estão em garrafas de vidro escuro, verde ou âmbar, que protegem o produto da luz e ajudam a preservar suas propriedades”, orienta Ana.
Também é essencial verificar se o rótulo indica que o produto é extra-virgem, além de conferir a procedência, data de validade e de envase. Contudo, essas informações nem sempre são suficientes. “Garrafas de boca larga facilitam a troca do azeite por óleo. Por isso, é importante ir além da leitura e fazer uma análise sensorial”, explica Ana.
O azeitólogo Marcelo Scofano sugere o teste mais simples: “A maneira mais simples de descobrir se é azeite de verdade é provando”. Se possível, peça uma colher ao garçom para testar.
A diferença está no sabor e no cheiro
Durante a degustação, preste atenção ao aroma e ao sabor. “O azeite extra-virgem tem aroma fresco e frutado, com notas de ervas, folhas, frutas ou de azeitona fresca. Se tiver cheiro rançoso, de mofo, de gordura velha ou fermentado, provavelmente é de baixa qualidade ou está adulterado”, alerta Scofano.
“O azeite de verdade tem equilíbrio entre amargor e picância”, explica Ana. “O amargor indica presença de polifenóis, e a picância, aquela ardência na garganta, aponta a presença de antioxidantes. Se for muito oleoso, pastoso ou com sabor neutro, é sinal de que pode ser uma mistura de óleo refinado.”
Saiba como identificar no supermercado
Com o produto lacrado, o rótulo se torna a principal referência. “Sempre busque azeites classificados como extra-virgem”, destaca Ana. Outro ponto crucial é a data de envase. “A recomendação é que não se consuma azeites envasados há mais de dois anos, mesmo que estejam dentro da validade”, explica Scofano. O ideal, segundo ele, é priorizar produtos com envase inferior a um ano.
Selos de qualidade também ajudam: “Procure por certificações como I.G.P. (Indicação Geográfica Protegida) ou D.O.P. (Denominação de Origem Protegida), que garantem que aquele azeite segue padrões rigorosos de produção e procedência”, conclui.
