Pontas duplas, frizz, comprimento irregular e fios que param de crescer podem ser sinais de quebra capilar. “Embora haja uma confusão entre os termos (e os fatores causais) da ‘queda’ e ‘quebra’ capilar, essas são manifestações diferentes. A quebra refere-se ao rompimento da haste do cabelo causada por fios enfraquecidos ou danificados.
Já a queda ocorre pela raiz, com o desprendimento do fio”, explica Flávia Brasileiro, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Como a quebra capilar acontece por vários motivos, incluindo maus hábitos e condições em que há uma ‘anormalidade estrutural’ no cabelo que faz com que ele se torne muito frágil, rachado e quebrado, a chave para tratá-la é a prevenção”, acrescenta. As informações são do O Globo.



Principais causas de cabelos quebradiços
Entre os fatores mais comuns estão tratamentos químicos e exposição ao calor. “No geral, os processos químicos são os que mais acometem os fios do cabelo causando a quebra da haste. Permanentes, descolorações, colorações e outros tratamentos químicos podem causar quebra ao enfraquecer as ligações proteicas na haste capilar. A exposição repetida a esses fatores pode deixar o cabelo mais quebradiço e propenso à quebra”, comenta Flávia.
“Técnicas que alteram a estrutura do fio, como o relaxamento capilar, quebram quimicamente as ligações fortemente unidas que mantêm a integridade do fio. Quando essas ligações são quebradas, o padrão natural dos cachos se alisa. Mas, com o tempo, quanto mais você relaxa os cachos, mais fraco o cabelo fica e mais propenso à quebra”, pontua.
Danos térmicos, causados por secadores, chapinhas, babyliss e pentes quentes, também prejudicam os fios. “Os fios podem ficar secos e quebradiços, o que pode resultar em ‘cabelos bolha’ (bubble hair), quando os fios desenvolvem grandes bolhas de ar que funcionam como pontos fracos ao longo da haste capilar, tornando-os mais suscetíveis à quebra”, destaca Flávia.
Leila David Bloch, da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo, reforça: “O uso frequente de calor desidrata os fios, deixando-os frágeis. Além disso, pode provocar a abertura ou desgaste da cutícula, a camada externa do fio, e a desnaturação da queratina, proteína responsável pela resistência capilar. Já os procedimentos químicos, como alisamentos e colorações, elevam o pH do fio, abrindo a cutícula para acesso ao córtex. Isso rompe as pontes de enxofre (dissulfeto) da queratina, altera a estrutura interna e deixa os fios mais frágeis, porosos e propensos à quebra. Quando há associação de calor com química, os danos se potencializam, resultando em maior risco de quebra, queda por tração, frizz, perda de brilho e afinamento progressivo. Em casos mais severos, pode ocorrer tricotiodistrofia adquirida, com fios extremamente danificados e aspecto espigado.”
Fatores ambientais e hábitos diários
Estressores ambientais também interferem na saúde capilar. “Excesso de radiação UV e umidade extrema prejudicam proteínas capilares e níveis de hidratação dos fios. Por outro lado, clima frio, ventoso e baixa umidade podem levar ao ressecamento, causando emaranhados, nós e maior suscetibilidade à quebra”, comenta Flávia.
Hábitos do dia a dia, como escovar ou esfregar o cabelo com a toalha em excesso, aumentam o atrito. Penteados apertados, como coques, rabos de cavalo e tranças, exercem tensão constante na haste capilar, enfraquecendo-a. “Quando a tensão é excessiva, há risco de alopecia por tração. Ou seja, um tipo de perda de cabelo causada pela tensão repetida no couro cabeludo. Essa tração danifica os folículos capilares, levando à queda e, em casos graves, à perda permanente”, alerta Flávia.
“Dieta e estado geral de saúde desempenham papel importante na saúde capilar. Cabelos saudáveis requerem proteínas, vitaminas e minerais específicos. Nutrientes como vitamina D, ferro e zinco são essenciais para funções capilares como síntese de proteínas e fornecimento de oxigênio para as células capilares, promovendo crescimento saudável. Processos como perda de peso rápida, distúrbios da tireoide e condições que afetam hormônios ou absorção de proteínas podem causar deficiência desses nutrientes e levar à quebra capilar”, explica Leila.
Tratamentos e cuidados
No cuidado doméstico, terapias para o couro cabeludo, condicionadores sem enxágue e máscaras de hidratação profunda ajudam a manter a saúde dos fios. “Aparar o cabelo regularmente elimina pontas duplas e previne a quebra. Limitar fontes de calor e exposição a estressores ambientais é altamente recomendável”, destaca Flávia.
“Cuidados em casa com produtos adequados — shampoos, condicionadores, máscaras e finalizadores — melhoram aparência, hidratação e maleabilidade dos fios em casos leves a moderados. No entanto, não é possível restaurar completamente a fibra capilar apenas com cuidados domiciliares, especialmente em danos profundos causados por química, calor ou tração constante”, explica Leila.
“A fibra capilar é uma estrutura morta, sem regeneração biológica real, apenas reparação cosmética temporária. Quando os fios estão muito danificados, pode ser necessário um plano de tratamento mais amplo, com avaliação médica, dermocosméticos específicos, suplementação oral (quando indicada) e, em alguns casos, tratamentos no consultório para estimular crescimento de fios mais saudáveis”, acrescenta. “Embora o fio não se regenere biologicamente, é possível restaurar resistência, brilho e integridade com abordagens específicas”, comenta Leila.
“Em fontes de calor, é fundamental usar produtos com proteção térmica. A maioria das causas da quebra pode ser tratada com produtos adequados, aparas regulares e redução de práticas agressivas. Se essas medidas não funcionarem e a situação piorar, é essencial consultar um dermatologista para chegar à raiz do problema”, finaliza Flávia.
