Por mais de dois anos e meio, o desaparecimento de Celine Cremer, mochileira belga de 31 anos, permaneceu como um dos casos mais enigmáticos da Austrália. Vista pela última vez em 17 de junho de 2023, ela caminhava sozinha por uma área de mata fechada próxima à trilha de Philosopher Falls, na Tasmânia, quando simplesmente deixou de dar sinais de vida.
Sem testemunhas, vestígios claros ou pistas concretas, o sumiço desafiou autoridades e deixou familiares e amigos em uma espera angustiante por respostas. O caso esfriou oficialmente, mas nunca saiu do radar de quem se recusou a aceitar o silêncio como desfecho.
A esperança, porém, ganhou novo fôlego no último sábado (13/12), quando um grupo de voluntários fez uma descoberta crucial durante buscas independentes realizadas na região.




Um celular muda o rumo da investigação
Durante a varredura na mata, os voluntários localizaram o celular de Celine em um ponto estratégico da trilha. O aparelho estava “a menos de 100 metros de seu último ponto de GPS conhecido”, segundo o explorador tasmaniano Rob Parsons, em declaração ao Sun.
“Isso comprova a teoria de que Celine perdeu o celular logo após registrar sua última localização e fornece uma direção clara do caminho que ela estava seguindo”, afirmou Parsons.
A descoberta levou as autoridades a retomarem oficialmente as buscas. A análise do aparelho pode oferecer dados importantes sobre os últimos momentos da mochileira e indicar uma nova linha investigativa.
A polícia trabalha com a hipótese de que Celine caminhava sozinha pela trilha quando decidiu sair do percurso oficial ao perceber que o dia escurecia. Acredita-se que ela tenha tentado um atalho para retornar ao carro, estacionado nas proximidades.
“Suspeitamos que ela deixou o celular cair e continuou sem ele, ficando desorientada no terreno denso”, explicou o inspetor Andrew Hanson. “Embora encontrar o celular dela tenha trazido alguma esperança para as muitas pessoas envolvidas neste caso, é um lembrete doloroso para os familiares de Celine da tragédia de sua perda”, completou.
Celine viajava sozinha quando desapareceu, e o alerta às autoridades só foi feito nove dias depois. O carro da mochileira foi localizado em 26 de junho de 2023 no estacionamento de Philosopher Falls, mas as condições climáticas extremas da região dificultaram qualquer avanço imediato.
“Nos dias que se seguiram ao desaparecimento de Celine, o clima de inverno na área incluiu temperaturas abaixo de zero, neve e chuva. Na época, especialistas médicos indicaram que essas condições não eram suportáveis pelo período em que ela teria ficado exposta. Nossa busca inicial continuou por duas semanas, e buscas subsequentes foram realizadas diversas vezes nos últimos dois anos, sem nenhum sinal de seu paradeiro até ontem”, relatou Hanson.
