Na última segunda-feira (21), pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) anunciaram o desenvolvimento de um canudo capaz de detectar a presença de metanol em bebidas alcoólicas. A tecnologia, que ainda está em fase de testes com amostras reais, promete oferecer uma forma rápida e segura de identificar adulterações, sem a necessidade de abrir a garrafa ou usar produtos químicos. As informações são do O Globo.
O equipamento funciona emitindo luz infravermelha sobre a bebida, o que faz com que as moléculas vibrem. Um software interpreta essas vibrações e identifica substâncias que não fazem parte da composição original, como metanol ou excesso de água adicionado para diluir o produto. A precisão até o momento atingiu 97% e os resultados aparecem em poucos segundos.



Como o canudo pode ser usado por consumidores e órgãos de fiscalização
O canudo indicará apenas se há presença de metanol, sem medir a quantidade exata da substância. A ideia é produzir unidades descartáveis com reagente que mudam de cor ao entrar em contato com a bebida. Os pesquisadores estão em processo de patente e negociam com empresas para produzir o dispositivo em larga escala. Inicialmente, o foco é fornecer kits para órgãos de vigilância, seguidos de bares e restaurantes que revendem bebidas alcoólicas.
A tecnologia foi desenvolvida no Laboratório de Instrumentação Industrial da UEPB e financiada pelo Governo da Paraíba por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq). Em 2023, os cientistas publicaram testes preliminares na revista Food Chemistry e agora avançam para validar a eficácia e segurança com amostras reais, produzidas na Fundação Parque Tecnológico de Campina Grande.
Nos últimos meses, o Ministério da Saúde registrou 104 notificações de intoxicação por metanol, sendo 47 casos confirmados e 57 em investigação. Foram confirmadas 9 mortes, a maioria em São Paulo, além de outros casos ainda sob análise em diferentes estados.
