Na Coreia do Sul, centenas de criadores de cães para consumo lidam com um futuro incerto após a aprovação de uma legislação que veta a comercialização de carne canina. A lei, aprovada em 2024, estabelece um prazo até fevereiro de 2027 para o término total das atividades. Contudo, muitos argumentam que o tempo é escasso e que o governo ainda não propôs soluções práticas para os milhares de animais que ainda vivem em cativeiro.
O reverendo Joo Yeong-bong, de 60 anos, é um dos afetados. Quando não está pregando a palavra de Deus, ele cuida dos cães que cria para o abate. “Desde o verão passado, estamos tentando vender nossos cães, mas os comerciantes continuam hesitando. Nenhum deles apareceu”, disse à reportagem. Ele também é presidente da Associação Coreana de Cães para Consumo, que representa o setor.




A lei prevê que os criadores devem desativar suas fazendas e vender os animais restantes dentro do prazo estipulado. Mas, com o mercado estagnado e a rejeição crescente da sociedade ao consumo da carne de cachorro, milhares de cães permanecem sem destino. A estimativa do governo é de que ainda existam cerca de meio milhão de cães criados para esse fim no país.
Lei
Em 2024, o governo da Coreia do Sul implementou uma proibição nacional da venda de carne de cachorro para consumo. A legislação histórica, que foi aprovada em janeiro do ano passado, dá a fazendeiros como Joo até fevereiro de 2027 para encerrar suas operações e vender os animais restantes.
Mas muitos dizem que esse tempo não é suficiente para descontinuar um setor que serviu de meio de subsistência por gerações — e advertem que as autoridades ainda não criaram salvaguardas adequadas para os criadores nem para os cerca de meio milhão de cães em cativeiro.
O Ministério da Agricultura afirmou que, caso os criadores entreguem os animais, os governos locais os acolheriam em abrigos. Mas esses espaços já estão lotados, e o número de cães excede em muito a capacidade das instituições de acolhimento. Com isso, cresce o temor de que a única saída seja a eutanásia.
Enquanto o prazo final se aproxima, criadores, ativistas e autoridades seguem sem consenso. O país, que já foi um dos maiores consumidores de carne de cachorro da Ásia, agora se depara com um dilema ético e logístico que coloca em xeque a capacidade de proteger os direitos tanto dos humanos quanto dos animais envolvidos.
