Na última segunda-feira (26), a Polícia Civil de Minas Gerais afastou por 60 dias a delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, cujo marido, o empresário René da Silva Nogueira Júnior, confessou ter matado o gari Laudemir de Souza Fernandes em Belo Horizonte, no dia 11 de agosto. A licença para tratamento de saúde foi concedida no dia 13, mas só se tornou pública neste sábado (23), com a publicação no Diário Oficial. As informações são do O Globo.
René Nogueira Júnior admitiu ter pego a pistola calibre .380 de uso particular da delegada sem que Ana Paula Balbino soubesse. O empresário declarou que o disparo foi resultado de um “acidente” durante uma discussão de trânsito, versão contestada por colegas da vítima. Laudemir de Souza Fernandes foi atingido enquanto trabalhava no bairro Vista Alegre, em meio à coleta de lixo, fato que gerou forte comoção.





Procedimentos contra Ana Paula Balbino e pedido do MP
A Corregedoria da Polícia Civil abriu um procedimento para apurar a conduta de Ana Paula Balbino, já que a arma utilizada no assassinato estava registrada em nome da delegada. Até então, Ana Paula Balbino não havia sido afastada do cargo por falta de indícios de participação direta no crime.
O Ministério Público de Minas Gerais pediu a responsabilização solidária de Ana Paula Balbino, argumentando que tanto a pistola quanto o carro usado por René Nogueira Júnior no momento do disparo pertenciam à delegada. O MP solicitou o bloqueio de R$ 3 milhões em bens do casal, medida que acabou negada pela Justiça.
Segundo o MP, o padrão de vida exibido por Ana Paula Balbino e René Nogueira Júnior nas redes sociais, aliado às respectivas trajetórias profissionais, demonstraria capacidade financeira para indenizar a família da vítima. O parquet defendeu que a indisponibilidade de bens, em dinheiro ou patrimônio, seria essencial para evitar que o casal ocultasse valores.
O advogado da família do gari, Tiago Lenoir, destacou em petição que René Nogueira Júnior apresentou relatos contraditórios antes de confessar o crime. “A vítima era chefe de família e único provedor de uma menor, hoje órfã de pai; os danos materiais e morais são inegáveis”, afirmou Lenoir, que ainda ressaltou a “extrema periculosidade do agente”.
As investigações apontam que René Nogueira Júnior se irritou ao encontrar o caminhão de coleta bloqueando a passagem do veículo no bairro Vista Alegre. Testemunhas relataram que o empresário ameaçou a motorista do caminhão antes de sacar a arma e disparar contra Laudemir de Souza Fernandes. René Nogueira Júnior poderá responder por homicídio duplamente qualificado, porte ilegal de arma e ameaça.
